• português
  • english
  • migrando

Migrando Aplicações

Conceitos, técnicas e ferramentas para a migração segura de aplicações

  • Home
  • Contato
  • Entrar

Mercado de Software

Fevereiro 6th, 2012

A computação é uma área de saber muito jovem e embora pensadores no passado tenham criado os parâmetros computacionais que usamos até hoje, somente a partir da década de 50 do século XX é que tivemos condições de presenciar o desenvolvimento de grandes máquinas chamadas computadores. Estão por toda parte e em variadas atividades humanas, mas em sua composição existe o software. Podemos entender o software como pequenas obras intelectuais reunidas e que dão vida a tudo o que vemos nos computadores. Num primeiro olhar, parece ser tudo automático e simples, como o piscar de um cursor, porém por trás das janelas e ícones, existe um intricado conjunto de códigos que são usados inclusive até nos menores dispositivos eletrônicos.

Esses conjuntos de códigos movimentam uma lucrativa indústria e precisamos analisar como foi sua evolução comercial para entendermos o que temos atualmente. No início a idéia de softwares domésticos era marginalizada e muitas mentes brilhantes foram mal compreendidas. Hoje temos variadas e confusas definições para software, passando pelos proprietário, aberto e até o pirata.

Na década de 60 não havia o software proprietário da forma como vemos hoje. O software acompanhava o equipamento, era aberto e podia ser utilizado da forma mais conveniente. Era uma época em que o lucro estava na venda dos equipamentos, pois possuíam um alto valor agregado, ou seja, embora o conceito não existisse, o software de certo modo era aberto.

O cenário começou a mudar no fim da década de 70, quando os preços dos equipamentos começaram a cair gradualmente e o software passou a ser interessante como um nicho lucrativo. Foi o momento oportuno para empresas surgirem e criarem o mercado do software.

Após a descoberta do software como negócio lucrativo, todas a portas se abriram e nasceu com força o conceito de software proprietário. Muitas empresas foram criadas e algumas ficaram ricas. Verdadeiros impérios foram formados e o software virou um produto de prateleira. Aos poucos um mercado consumidor surgiu e um círculo virtuoso nasceu, altamente lucrativo e com poucos obstáculos para sua disseminação global.

Um forte mercado de produtos que atendiam as mais variadas necessidades foi cuidadosamente criado, especialmente para o mercado corporativo. A elaboração de sofisticados modelos de licenciamento tornou a indústria de software muito próspera, principalmente porque sua distribuição não envolve as dificuldades encontradas nas indústrias convencionais.

O transporte e distribuição de um software são de baixo custo. Feito o investimento de pesquisa, desenvolvimento e a criação da primeira mídia, a multiplicação vira um procedimento simples. Quando não é transmitido digitalmente, a gravação das mídias pode ser realizada localmente em filias das corporações transnacionais, bem como o transporte é muito facilitado em virtude das pequenas dimensões dos discos óticos.

Com a existência de uma matriz, a reprodução pode ser feita em larga escala e esse processo é muito diferente das indústrias tradicionais, as quais precisam de um complicado processo de produção, além do transporte em muitos casos delicado, em virtude das dimensões, peso e fragilidade. Ou seja, transportar um disco ótico é muito mais simples do que transportar um barril de petróleo.

A década de 80 proporcionou um espetáculo tecnológico. Os saudosistas que tiveram a adolescência ou a juventude nessa época, lembram com certa nostalgia o romantismo que envolvia a computação. Os computadores começaram a virar microcomputadores, os preços caíram vertiginosamente, softwares de toda sorte foram escritos, muita teoria de programação foi criada, dispositivos eletrônicos começaram a embarcar software, os vídeo games hipnotizaram as crianças e os filmes de ficção científica voavam alto com a promessa do ano 2000.

Um império da computação foi formado exatamente durante a década de 80 e toda a base tecnológica foi construída para a inacreditável disseminação da computação na década seguinte, incluindo a grande rede mundial de computadores disponível a usuários comuns. No final da década de 90, empresas de computação disputavam agressivamente com indústrias convencionais para entrarem no clube das mais lucrativas do mundo.

Além das bases tecnológicas e comerciais, surgiu o conceito do software aberto. Não podemos afirmar que foi uma volta às origens para tornar o software como extensão do hardware, ou a simples idéia de democratizar o acesso ao software, mas o fato é que as sementes para o que temos hoje foram plantadas. A percepção que o software não é estritamente um produto começou a ser viável e conseqüentemente chegou-se a conclusão que ele não deveria ser obtido exclusivamente na prateleira.

O conceito de software aberto surgiu de modo polêmico e muitas vezes confuso, mas tem como pano de fundo a possibilidade da distribuição além dos canais formais de compra de licenças. Tornou-se possível a distribuição de software sem restrições por empresas e usuários, incluindo a permissão de modificação de acordo com as necessidades. As nações puderam então tirar proveito do software sem as restrições políticas ou comerciais que são comuns no modelo proprietário.

Todo esse processo vem sendo gradual. Não é e nem deve ser uma mudança imediata. Muitos anos se passaram e o software aberto ainda é incipiente para as empresas e usuários. Assimilar o novo conceito de desenvolvimento, uso e distribuição traz muitos desafios, além de riscos.

O software aberto não surgiu de modo espontâneo, foi necessário muito esforço, criação de entidades e um tom jurídico muito forte, de modo que todos os softwares vistos como abertos permaneçam assim, sem o risco de serem violados ou apropriados por terceiros.

É importante observar que não há uma resistência com relação ao software proprietário, nem uma visão negativa, como se isso fosse algo letal para a sociedade. O mercado de software gera muitos empregos, riqueza e movimenta a economia global. A atenção encontra-se em softwares que são commodities, ou seja, que fazem coisas que todos sabem e quem são independentes de fabricantes e plataformas. Podemos inserir nesse grupo, clientes de correio eletrônico, processadores de texto, navegadores, entre outros. Há outro grupo de software que é necessariamente proprietário, ou seja, ainda não são tratados como commodities. Normalmente possuem uma utilização específica ou um alto grau de personalização. São tão especializados que não motivam o desenvolvimento através do conceito de software aberto, por se tratar de um pequeno nicho.

O que há de errado então com softwares commodities ? Eles são simples, estudados em universidades, fazem parte até de exercícios complementares em cursos de computação. Se são escritos por todos, porque devemos comprá-los. Temos que entender que além da escrita pura de um software, existe o esforço de uma corporação em fazer que tal software seja usado. Esse esforço consistente e repetitivo cria padrões e fugir dos padrões custa muito caro, pois desejamos somente redigir um documento e não ter que pensar em qual formato gravar para o colega abrir e ler sem problemas.

De outro lado, o software aberto vem lentamente preenchendo os espaços com a disponibilização de softwares cada vez mais compatíveis e já temos a existência de padrões baseados em tecnologias abertas. A diferença é que não existe o esforço concentrado e bem financiado que uma corporação possui. O tempo de penetração no mercado é mais lento e restrito ao mérito do software e não somente à sua propaganda.

Nós teremos a oportunidade de discutir os prós e contras do conceito que estamos tratando agora. É uma questão nova e que altera valores, não restrita somente ao mundo da computação. Pode ser estendido à música, arte e literatura. Toda criação humana pode ser objeto de análise com o mesmo olhar que temos nesta leitura. O software como produto intelectual, é também alvo da análise, porém ele possui um grande valor estratégico no mundo contemporâneo, talvez venha daí a nossa dificuldade em deixar os valores antigos. A mudança é inevitável. Além de uma teoria e boa literatura sobre o assunto, hoje o mercado de software vem presenciando profundas modificações e o software aberto é um dos mais importantes protagonistas.

[],
Eduardo Stefani

Postado em Parte I - O Bem Intangível | Enviar feedback »

Importância Estratégica

Fevereiro 1st, 2012

A sociedade humana vive atualmente um período sem precedentes na história contemporânea. É um período no qual a informação é mais importante que a detenção de recursos naturais. Pouco podemos fazer com determinados recursos da natureza se não soubermos sua finalidade e a maneira como manipulá-los, ou seja, precisamos de informação. Talvez seja prematuro tratar o assunto com outros olhares, mas podemos fazer uma relação direta com a situação nociva entre os detentores e compradores de recursos naturais brutos. Isso se materializa na eterna comparação entre o vendedor de minério e o vendedor de microprocessadores. Só há uma diferença entre eles: o último sabe fazer um produto acabado de alto valor tecnológico e tem a informação para concretizar esse feito.

Um desafio muito comum dado a alunos de antropologia é perguntar o que é cultura. Talvez para o homem primitivo que durante anos esperou os frutos maduros caírem das árvores, a descoberta que é possível o uso de um pedaço de pau, de modo a facilitar a queda de tais frutos, pode ser entendido como um produto cultural ou no contexto deste texto, a informação que o uso de um instrumento pode facilitar muito a obtenção de frutos frescos.

O mesmo homem primitivo demorou mais alguns anos para perceber que era possível guardar aquele mesmo pedaço de pau e não ter que procurar por um toda vez que desejasse um fruto fresco. Então será que no momento que ele passou a usar o mesmo instrumento, começou então o fim de sua cultura nômade? Isso renderia muitos textos para discussão, mas o fato é que a informação esteve sempre presente na história humana como fator decisivo para o processo evolutivo. Imagine a vantagem que esse homem tinha diante dos outros, com a capacidade de acumular ou obter frutos com mais facilidade.

Quem possui mais informação, proporcionalmente possui mais poder. As nações que perceberam isso e tiveram condições e competência para obtê-la e manipulá-la, encontram-se hoje em uma posição privilegiada. Não precisamos refletir muito quando observamos a influência que uma agência de notícias exerce no desdobramento dos acontecimentos. Essas agências estão normalmente ligadas a grandes grupos de empresas, normalmente pertencentes a nações inseridas no grupo das mais ricas, aquelas que puderam ou souberam explorar a informação.

É interessante notar que vivemos numa sociedade na qual as coisas passam a existir somente quando tomamos conhecimento. Um genocídio passa a existir quando tomamos conhecimento através dos veículos conhecidos e não quando as agressões ocorrem. Nesse momento a informação pode tomar caminhos tortuosos, diante de cenários políticos, momentos históricos ou interesses imediatos. Custa nos darmos conta que uma página na grande rede mundial existe somente quando aparece em num sistema de buscas e não quando é hospedada fisicamente em num servidor. Diante desses fatos, podemos então controlar o que existe ou não. A detenção da informação, em verdade, pode definir a realidade ou a sua percepção para nós.

O grande diferencial em sua detenção no mundo moderno, é que ela não está mais contida nos livros armazenados nas bibliotecas ou nas mesas de seus leitores. A informação hoje é mais democrática do que há algumas décadas, pois podemos obter conhecimento sem necessitar de um livro as vezes caro e raro. É possível através de uma conexão com a grande rede mundial, acessar qualquer tipo de informação. Por outro lado, depende dos computadores para fluir, que depende de uma aplicação para tratá-la, que tem que ser desenvolvida por uma linguagem de programação, com os dados armazenados em um banco de dados e que finalmente todos esses componentes precisam ser gerenciados por um sistema operacional. Voltamos então ao raciocínio inicial, já que a construção dos meios para obtermos informação também estão condicionados à ela, ou seja, o cidadão que não possui o valioso acesso à grande rede, de certo modo deixa de existir.

As nações lutam para obterem conhecimentos de como construir um foguete ágil, satélites com longa vida útil, automóveis mais econômicos, uso eficiente e limpo de energia, operações seguras com materiais radioativos e finalmente maneiras de preservar tudo isso de modo integro e articulado. De um lado existe a corrida para a obtenção de informação e de outro estratégias para protegê-las.

Na indústria da microinformática temos isso de forma mais acentuada. A detenção de tecnologia para a construção de um microprocessador gera muita riqueza e poder, juntamente com o desenvolvimento de softwares básicos que podem ser vendidos no formato de commodities para um mercado de escala mundial, necessitado de ferramentas para tornar os negócios mais eficientes e lucrativos.

Agora vamos imaginar o software. Aquele componente que dá a inteligência a um computador. Qual o nível de riqueza e poder que uma nação pode obter com a sua correta manipulação ?

E a pressão que pode ser exercida sobre outras nações diante da detenção da tecnologia do software, a qual possibilita o ganho de produtividade que todos desejam. Podemos chegar a um nível de dominação nunca visto na humanidade. Esse quadro fica ainda mais complexo quando inserimos o advento da grande rede mundial na vida de toda empresa e cidadão. Se de nada serve um microprocessador sem um sistema operacional para operá-lo, de nada serve um microcomputador sem uma conexão com a grade rede para interligá-lo.

Essa junção de fatores pode nos levar a uma situação inusitada no futuro com alguns sinais já em nosso presente, onde poucas tecnologias, nas mãos de algumas nações, serão usadas pela maior parte da população mundial e o maior desdobramento de tal situação é o fato de ficarmos presos a essas tecnologias. Não sabemos como os softwares são feitos e não temos controle sobre o que usamos diariamente. Mais perturbador ainda quando pensamos nas possibilidades que uma conexão com a grande rede abre se orquestrada por sistemas que não sabemos como se comportam.

O desafio neste início de século é encontrar formas para a informação trafegar com menos atrito. Podemos entender atrito a tudo que desgaste ou dificulte o tráfego livre, especialmente para nações que ainda não estão em um nível privilegiado de desenvolvimento, mas que precisam fazer uso das tecnologias sem restrições comerciais ou políticas. Hoje, aqueles que não estão inseridos no restrito grupo de países ricos, ficam sujeitos a um novo tipo de dependência. A dependência tecnológica, com a manipulação da informação como principal instrumento.

Entre todos os fatores que vimos, o software certamente é o que demanda mais atenção. Se for visto de modo estratégico, nações poderão se desenvolver e sua população poderá ter acesso a informação sem a submissão a esse novo tipo de dependência.

Estamos diante de um grande universo de oportunidades e a informação é o centro gravitacional. A potência do futuro é aquela que hoje sabe aproveitar os espaços abertos pelo espanto causando em virtude do rápido e intenso avanço nos instrumentos para manipulação da informação.

A informação está em toda parte e afeta as nossas vidas a cada instante. Existir significa estar cadastrado em algum sistema de informação. Existir significa estar acessível. Existir é saber manipular a informação. Se isso não for feito, corremos o risco de não existir. E no final de tudo, a informação é muito volátil. O que é importante agora, pode não ser depois de cinco minutos, portanto ela precisa ser usada rapidamente e da melhor forma possível.

[],
Eduardo Stefani

Postado em Parte I - O Bem Intangível | Enviar feedback »

  • Maio 2012
    Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
     << <   > >>
        1 2 3 4 5
    6 7 8 9 10 11 12
    13 14 15 16 17 18 19
    20 21 22 23 24 25 26
    27 28 29 30 31    
  • Migrando Aplicações

  • Categorias

    • Todas
    • Introdução
    • Parte I - O Bem Intangível
  • Busca

  • ecs@eduardostefani.eti.br

  • Migrando Aplicações

blog soft

©2012 by admin | Contato | Design by Michael | Créditos: blog tool | dedicated servers | authors