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Land of beaches, snow, deserts and wines
Setembro 11th, 2010O amadurecimento na vida de um homem parece ocorrer lentamente e, segundo as feministas de plantão, em ritmo mais lento do que nas das mulheres. No meu caso, independente de ser homem, ocorreu de modo mais lento ainda, talvez pela minha estruturada organização intelectual de uma carreira tecnológica. Mas depois de superadas as limitações, comecei a descobrir um mundo do qual eu não tinha ideia.
Estou escrevendo estas linhas na noite do meu aniversário e mergulhado no furacão de uma viagem a trabalho a Santiago, no Chile. Depois de três horas escutando o castelhano chileno nas mesas a minha volta, com a alma hidratada por um delicioso Cabernet Sauvignon e observando atentamente os hábitos locais, comecei a ter lampejos inspiradores sobre o continente americano e as línguas que o nutrem.
Fico imaginando como seria se na minha infância eu tivesse recebido mais incentivo pelos interesses latino-americanos do que pelos europeus e norte-americanos. Nós, brasileiros, somos um povo que conhece o velho mundo e a sua história, porém quando falamos em América Latina, somos mal informados e carregados com preconceitos seculares.
Um fator que pode ter contribuído para isso e que me deixa em profunda reflexão é o fato de o Brasil ter uma barreira linguística com os irmãos da América Latina, como uma cordilheira imaginária separando dois mundos. Enquanto todos os irmãos se comunicam livremente na língua nativa espanhola e sem esforço, nós brasileiros precisamos recorrer a instrumentos de adaptação e improvisação da própria língua e de outrem também.
Se esse pedaço do continente tivesse a mesma língua, qual seria o nível de integração entre os povos? Será que teríamos mais livros na língua nativa do que em inglês, por exemplo? Por outro lado, será o destino do Brasil determinar um poder imperial com sua própria língua, digamos assim única, portuguesa, mas distante da portuguesa?
Somos de fato peculiares e basta uma viagem aos irmãos latinos para identificar tamanho distanciamento cultural com povos tão próximos. Se não fossem as similaridades coloniais e econômicas que nos aproximam, seríamos também distantes em espírito.
Penso que parece uma história de um amor impossível. De um lado há uma paixão que move a proximidade e integração, porém de outro a barreira linguística como a de um homem apaixonado e sem saber como dar o primeiro flerte. A frustração imediatamente toma conta e nos coloca no lugar de estranhos, pois precisamos primeiro aprender uma outra língua para nos comunicar com vizinhos que vivem há apenas duas ou três horas de voo.
Pode ser que meu objetivo pareça romântico, mas é a vontade impetuosa de uma nação se comunicar com seus vizinhos. Será que realmente teremos que impor a nossa língua aos outros com um poder colonial ou estaremos sempre tentando entender o que os vizinhos dizem naquela língua diferente.
De qualquer modo, devemos brindar a América Latina com suas belezas exuberantes, povos doces e promessas de futuros espetaculares. Se observarmos a qualidade e postura de nossos colonizadores, estamos em situação privilegiada. Espero não cometer exageros, mas em alguns setores até superiores.
Doce continente dividido por uma cordilheira lingüística, por favor, acorde e esqueça as rivalidades. Torne-se um único corpo e enfrente os leões do mundo. Pare de santificar o outro lado do mundo com seu crescimento megalomaníaco e olhe para si mesmo. Avante terra de praia, neve, desertos e vinhos.
Viva a América Latina!
Este texto foi inspirado e harmonizado com:
Veramonte
Cabernet Sauvignon
2009
Chile
[], Eduardo Stefani - 11/11/2009
