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Eduardo Stefani

Reflexões pessoais sobre arte, cultura, política e diplomacia.

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Baile na Ilha Fiscal

Junho 28th, 2009

Os livros de história brasileira, principalmente aqueles destinados aos alunos de educação primária, tratam a monarquia como algo distante e de certo modo negativo. A literatura em geral cita personagens e fatos históricos remotamente, os distanciando quase que propositalmente da nossa realidade, especialmente quando os fatos referem-se à nossa monarquia.

A surpresa aparece quando com pouca leitura, descobrimos que a volta de um soberano não foi tão remota assim. Tivemos um plebiscito realizado em 1993 para o povo brasileiro escolher entre República presidencialista e monarquia. Não foi surpresa ter a primeira opção como vencedora, mas de qualquer modo, não podemos esquecer que 10% da população escolheu a segunda opção.

Eu pessoalmente comecei a me interessar pela monarquia depois de uma conversa com um livreiro de rua na cidade de São Paulo. Na ocasião, vivíamos numa época de muita ansiedade, pois estávamos no início do segundo semestre do ano de 2002, ou seja, a poucos meses da eleição presidencial na qual o então candidato Lula foi eleito. Depois de muitos anos e uma história conturbada, o Brasil teria então um cidadão brasileiro no sentido literal da palavra, residindo no Distrito Federal e dono de uma caneta com poderes presidenciais.

A ansiedade foi ocasionada pelo que poderia acontecer depois daquele momento, pois como jovem, sempre tive curiosidade de entender a psicologia do Brasil. O ano de 2002 foi também pra mim um período de grandes descobertas, já que a minha literatura estava recheada de obras um tanto excêntricas e eu me surpreendia a cada dia pelos novos olhares que tomava da realidade brasileira e latino-americana.

Grande parte da literatura que citei, foi adquirida através do estimado livreiro, com seu gato preguiçoso como cúmplice das entusiasmadas conversas. Entre os livros que adquiri, posso citar “A Salvação da América Latina” e “Veias abertas da América Latina”. São dois livros que tocaram pela densidade de seu conteúdo e desdobramentos na mente de um jovem procurando grandes heróis entre o nobre povo latino-americano. É lastimável como conhecemos pouco a história do nosso continente.

A compra de um livro era sempre antecedida e seguida de uma apaixonada discussão sobre os destinos possíveis para o Brasil e o mundo. Normalmente o tema do livro inspirava a conversa. Segurando o livro “A Salvação da América Latina” e a alguns meses das eleições presidenciais, perguntei ao livreiro sobre qual modelo político era o mais apropriado para o Brasil. Diante do livro que eu tinha em mãos, tentei ingenuamente prever a resposta.

Eu imaginei que ele fosse responder algo do tipo: Precisamos de um Fidel para o Brasil, ao menos durante alguns anos para dar um jeito na situação. Cheguei a imaginar também que o comentário seria sobre a necessidade de uma revolução sangrenta para livrar o país de traidores e antipatriotas que somente sugam e nada fazem para o bem coletivo. A minha surpresa veio ao escutar dele que o melhor sistema para o Brasil seria a monarquia.

Durante alguns segundos vieram à minha mente todos os livros de história que estudei durante a infância, bem como todas as palavras dos professores, meus país e demais pessoas que ajudaram a formar a minha personalidade e fiquei sem saber como argumentar.

Só fui capaz de pedir uma explicação mais detalhada para ajudar na minha compreensão. Isso provocou novas surpresas que mudou a minha percepção sobre a monarquia e fez-me estudar mais sobre o assunto.

O culto amigo e livreiro argumentou que a única forma de criar condições políticas para um país ainda em acomodação como povo e nação, seria a de possuir um governo com mais continuidade, ou seja, com mais compromissos sobre os desdobramentos de cada ação. Ele quis dizer que atualmente um Presidente da República quando fica no máximo oito anos no poder, não pensa a longo prazo sobre seus atos, porém o nosso país precisa de ações que podem durar décadas ou uma geração.

Cada governante no atual sistema fica no máximo oito anos e a visão de cada um é restrita à própria realidade, sem pensar nas conseqüências para a década ou geração seguinte.

No caso da monarquia teríamos um soberano comprometido com suas ações, de modo que elas não ocasionassem uma tragédia na década seguinte.

Pode ser que a opinião daquele livreiro esteja baseada essencialmente no senso comum, ou mesmo com características predominantemente pessoais. O fato é que aquela conversa explicitou a grande carência que o nosso país possui.

A cada quatro anos temos soluços de otimismo e a cada oito a troca do governante, pelo menos foi assim nos últimos tempos. Além da esfera federal, temos as estadual e municipal, que são tão importantes quanto, porém depois de um governo aparece outro com novas idéias e normalmente ignora as anteriores.

Vamos então imaginar o nosso país com um palácio abrigando a realeza. Poderíamos brincar de cara e coroa com conhecimento de causa e de uma hora para outra seríamos súditos de um soberano. A família real com privilégios de cometer gafes reais e casamentos espetaculares, bem como escândalos e triângulos amorosos. Quem sabe um jubileu, guarda real, bailes, princesas lindas, príncipes com inclinações duvidosas e fatalmente um imposto real para todo país.

Teríamos também um primeiro ministro e se a nossa família real não viesse a ser uma mera exploradora, existiria a chance de ver um governo ao longo de anos trabalhando para não criar uma tragédia em curto espaço de tempo.

Deixando a ficção de lado, a monarquia depois de deposta pela Proclamação da República, tentou através de conspirações, centros de estudos e ações armadas retomar o poder. Durante 30 anos houve movimentos para a volta da monarquia, portanto não podemos ignorá-la.

A história do Brasil possui detalhes que são desconhecidos e aqueles que pensam que os brasileiros não sujaram as mãos de sangue estão enganados. Pena que normalmente nos interessamos pelos detalhes alheios.

Hoje o Brasil está amadurecendo como República e certamente não há espaço para um modelo diferente. Aos poucos estamos tomando consciência das ações a longo prazo que necessitamos como solução para nossos problemas estruturais, deste modo mesmo com diferentes donos de uma caneta presidencial, a tendência é que conquistemos a tão desejada continuidade.

Caso tenhamos uma mudança nos rumos históricos, nos vemos no próximo baile real, quem sabe ainda na Ilha Fiscal.

[], Eduardo Stefani – 26/10/2007

Postado em Política

Carência, Insegurança ou Complexo de Inferioridade

Novembro 3rd, 2008

O brasileiro é um povo nobre, sofrido e persistente. Mesmo diante de tantos abusos de sua soberania e estado psicológico, ainda é forte para continuar lutando. Talvez tais abusos os levem a uma carência, insegurança ou até mesmo complexo de inferioridade, porque com pouca análise percebemos que o povo brasileiro possui grande desejo de ser amado e querido por todos e fica horrorizado quando isso não ocorre.

Inicialmente precisamos analisar a relação do povo brasileiro com o resto do mundo. Há o desejo que todos os cidadãos do mundo admirem sua seleção de futebol, samba, praia, clima e simpatia. Além disso, o brasileiro deseja ser fluente em todas as línguas e em algumas vezes deseja até se misturar entre outros cidadãos, quase como uma renúncia da sua própria nacionalidade. Vemos então um conflito traumatizante. De um lado é arrogante e impiedoso ao apresentar a sua seleção de futebol e de outro é absolutamente subserviente, abrindo mão até de sua fantástica e sofisticada língua.

Quando viaja ao exterior espera comoção de todos diante de sua presença e pensa que é charmoso, sensual e conquistador. É engraçado o mito da potencia sexual e povo quente, como se fosse privilégio de uma única nação possuir os talentos da procriação.

Sinto por não ser psicólogo, caso contrário, escreveria aqui uma análise mais efetiva do que acontece na mente de um brasileiro quando há a relação com outra cultura.

O problema é que normalmente todas as expectativas do povo brasileiro são preenchidas, principalmente quando invadem a Europa e América do Norte a passeio. Como as viagens são dispendiosas, somente uma pequena parcela da população consegue realizar tal façanha e inevitavelmente são sempre reverenciados pelo futebol, praias e o mito da sexualidade.

Em verdade, parece ser uma dádiva dos deuses ou uma grande recompensa quando passam alguns dias no exterior a turismo ou a trabalho. A arrogância e complexo de inferioridade se misturam. Simultaneamente vestem a camisa da seleção e sentem-se os melhores do mundo, porém ficam impressionamos pelo poste que é semanalmente limpo por um funcionário da prefeitura. Exibem-se para as mulheres nórdicas com a quente sexualidade e se espantam com as faixas de pedestres filmadas e controladas pela polícia metropolitana.

É um conflito sem precedentes. Um complexo de inferioridade, misturado com insegurança e finalmente com um pouco de carência. Algo falta na alma do brasileiro para existir a segurança no olhar e apresentar outros argumentos que não sejam a sexualidade, praia e futebol. Todos sabem, exceto eles, que não faltam argumentos para um brasileiro se orgulhar no exterior.

A outra face do problema aparece quando um brasileiro viaja às áreas mais pobres do planeta, inclusive para áreas pais pobres do que seu próprio país. O principal exemplo são seus vizinhos, nos quais a admiração pelo futebol, praia e sexualidade é relativa e invariavelmente o brasileiro experimenta a sensação de não ser bem vindo.

Ficam horrorizados quando viajam à América do Sul e não são tão queridos. Passam a desejar vingança quando restrições são colocadas às suas empresas, principalmente as de energia.

Quando são contrariados, desejam imediatamente a retaliação, vingança, sanções ou qualquer ação que renove o ego. São senhores de engenho e desejam respeito, porém no momento seguinte são obedientes como um escravo. Tudo dependerá da platéia. Se estiverem numa área pobre, serão astros, mas se forem para uma área rica. serão os desgraçados.

O ilustre vizinho dos brasileiros é o maior exemplo de contrariedade e considero que possuam muito que aprender com os irmãos argentinos. Os argentinos os criticam, fazem piadas e se consideram declaradamente melhores sem piedade. Em alguns momentos os acham imperialistas e em outros falsos. Já escutei de amigos argentinos que os brasileiros têm a mania de querer dominar o mundo.

Eles têm a tendência de se compararem. O interessante é que há um senso megalomaníaco nas comparações, pois no primeiro problema que enfrentam logo fazem uma paralelo com a realidade na Suíça, Dinamarca, Noruega ou qualquer país com um alto índice de qualidade de vida. Nunca comparam relativamente com países no mesmo nível cultural ou com áreas menos prósperas de países ricos. Isso deve trazer grandes depressões, porque naturalmente muitas praças brasileiras são mais sujas e descuidadas do que as praças de Genebra, aliás, muitas praças do mundo devem estar na mesma situação.

O brasileiro é um povo doce é muito bondoso e sei que terão um lugar nobre na história da civilização ocidental, porém eles precisam amadurecer como nação e entenderem que são os donos de sua própria história.

Infelizmente os brasileiros cometem o mesmo erro que cometi durante todo este texto. O país e o povo brasileiro na terceira pessoa.

[], Eduardo Stefani – 25/10/2007

Postado em Cultura

Com toda pompa e circunstâncias

Novembro 3rd, 2008

A diplomacia é uma das poucas áreas de conhecimento recheada de paixões, contradições e mística. Em verdade, defini-la assim é um passo ousado, porque na realidade ela reúne diversas áreas, além de ser complementada pelo toque pessoal do diplomata.

As missões diplomáticas são carregadas de estratégia, defesa de interesses, perda momentânea para ganho futuro, glamour, dissimulação, mentira, blefe e por último, um senso de lealdade com a nação que transcende as aspirações pessoais. Talvez esse último item seja motivo de arrasadores sentimentos de impotência por parte de um diplomata. A carreira da diplomacia é exercida por pessoas brilhantes e de alto potencial intelectual. Como então conviver com a vaidade acadêmica de um intelectual politizado e a missão de cumprir tarefas dadas pelo estado, especialmente quando contrariam as mais íntimas convicções?

A tarefa de representar um país no estrangeiro é nobre. A função e reconhecimento são oficiais e cobertas de elegância, principalmente para o diplomata que tem o privilégio de vivenciar momentos singulares e históricos com a possibilidade de deixar um legado.

Eu devo antes de tudo pedir as mais sinceras desculpas aos diplomatas que estejam lendo este texto, pois embora eu seja um apaixonado pelos assuntos das Relações Internacionais, não tenho o caldo cultural necessário para escrever sobre o assunto, ainda mais fazendo suposições do que seria ou não a atividade de nobre carreira.

Esta paixão levou-me a buscar literatura que pudesse satisfazer a faminta necessidade de entender o mundo, através dos instrumentos usados por todas as nações e deixar aquela visão meramente pessoal do que o mundo deveria ou não ser. Essa visão dura pouco tempo e morre com a ideologia ingênua baseada exclusivamente num mundo melhor, sem pensar na complexa teia de interesses nacionais que nos levam à atual realidade. Somos todos cúmplices de cada ação internacional que levou o mundo ao atual estágio político e econômico.

Ao ler o brilhante texto intitulado “Pompa e Circunstâncias de Gloriosa Carreira” do diplomata brasileiro José Osvaldo de Meira Penna, tive a inspiração de criar este espaço na rede para discutir diplomacia. Devo deixar aqui os meus agradecimentos ao gentil Embaixador Meira Penna pela permissão em usar o título de seu texto.

O texto em questão cita uma obra de Shakespeare que resume a guerra gloriosa como um ato repleto de soberba, pompa e circunstâncias. Em verdade esse é um trecho da obra Othello e cabe perfeitamente na contemporaneidade da diplomacia. Com pompa e circunstâncias a diplomacia é exercida no mundo, deixando para os simples cidadãos a sensação de deslumbre diante das elegantes recepções, viagens e rodadas de negociações.

O outro lado da historia é muito mais cru e determina soberania, sobrevivência, espaço econômico, solução de conflitos e por último, a existência de um país no contexto internacional.

Sejam bem vindos com toda a pompa e circunstância.

[], Eduardo Stefani – 24/10/2007

Postado em Diplomacia

Comentários sobre o Declínio do Discurso Humano

Outubro 30th, 2008

Eu escrevi meu último artigo no calor da leitura do texto que citei, no qual faz um resumo dos atos conservadores da candidata a vice-presidente do nosso irmão do norte. Tentei passar a minha percepção, em verdade, algo pessoal sobre o discurso que escutamos no dia a dia, bem como a cultura de um modo geral, pois ambos vêm mostrando uma acentuada queda de qualidade.

Após alguns dias, penso que fui um pouco pessimista. Dá a impressão que está tudo ruim. Não quis dizer que o mundo está tomando um caminho tortuoso, mas sim o discurso ocidental, basicamente ao que eu tenho acesso.

Meu grande questionamento é como num momento tão avançado da tecnologia e do conhecimento geral, podemos ser comprados por discursos baratos. As mentes parecem despreparadas para o correto discernimento. Não aqueles que revelam alinhamentos políticos ou ideológicos, mas sobre questões básicas que deveriam ter sido superadas há séculos, como é o caso da tentativa de levar o criacionismo a cabo, como é a intenção de algumas figuras no poder, inclusive no Brasil.

Além dessas percepções, desejo fazer mais alguns comentários:

Eu disse que as grandes guerras mundiais colaboraram para empobrecer o discurso mundial. Embora guerras tenham ocorrido durante toda a história da humanidade, experimentamos um bom período de paz e construção da civilização contemporânea durante séculos. As grandes guerras mundiais, numa certa medida, brutalizaram os homens. Os que não foram à guerra, assistiram o colapso e destruição daquilo que viram desde a infância. Os que foram à guerra e voltaram vivos, ficaram brutalizados, em virtude daquilo que viram. Tivemos a partir desse momento, o desencadeamento de muita violência durante todo o século XX e o reaparecimento de práticas até então consideradas selvagens para um homem civilizado. Não vamos esquecer que depois de 2001, a prática de tortura foi assustadoramente relativizada.

É uma percepção que tenho, especialmente como conclusão do que venho lendo ultimamente. Pode ser que eu esteja sendo parcial, ou mesmo equivocado, mas não podemos negar que vimos durante o século 20 a perda de costumes civilizados adquiridos durante os séculos anteriores.

Por outro lado, o meu artigo parece ser nostálgico. Eu nem poderia ser nostálgico, porque passei a existir neste globo somente a partir do final da romântica década de 70. É uma tendência sempre dizermos que o passado é melhor e que estamos vivendo na decadência. Isso é verdade, porque se pegarmos artigos de jornais do século 18 ou 19, leremos também a sensação de que a sociedade está decadente, portanto eu espero não ter passado a mensagem nostálgica. Em resumo, a decadência anda de mãos dadas com o desenvolvimento e o desafio é encontrar a medida certa.

Citei um filme chamado "O Declínio do Império Americano". Quem não assistiu, deve assistir, pela sensibilidade e profundidade em mostrar o que está ocorrendo conosco. O declínio é oriundo da individualidade, baixo índice de natalidade e muitos fatos evidenciados no filme. Confesso que não lembro de tudo e merece que eu o aprecie mais uma vez. É curioso, porque são oito professores universitários, sendo quatro homens e quatro mulheres. Num jantar, regado a vinho, a pauta é sexualidade, futilidades e depois Marx. Na verdade é uma mistura muito bem vinda, mas que nos dá uma noção do que pode resultar o efeito multiplicador de uma sociedade cuidando da individualidade e esquecendo da sociedade. Ao menos no meu entendimento, o declínio está escondido exatamente ai, numa sociedade individualista. Esse parágrafo merece talvez mais alguns artigos para sintetizarmos as mensagens e tentar entender o empobrecimento do nosso discurso.

Vale também a dica do filme "As Invasões Bárbaras"!

Espero ter esclarecido alguns pontos que entendi como contraditórios. Isso pode render uma boa noite de discussões calorosas.

[], Eduardo Stefani - 30/10/2008

Postado em Política

O Declínio do Discurso Humano

Outubro 28th, 2008

A partir da indicação de um amigo sul-africano, apreciei um artigo intitulado “Sarah Palin'v War on Science” e me inspirou a escrever este texto. Em verdade foi o que faltava para eu sintetizar algumas observações que vinha fazendo ultimamente. O artigo descreve o nível de conservadorismo que a dama republicana exala em seus discursos e não tive como deixar de observar:

É impressionante como temos em nossa contemporaneidade uma incrível pobreza de discurso e retrocesso em alguns conceitos cruciais, especialmente para a civilização ocidental, tão culta e dona da razão moderna. Devemos sentir pelos brilhantes cientistas do início do século XX, nos quais presenciaram um incrível avanço de científico e civilizatório. O otimismo era tanto na virada do século que pensava-se não ter mais o que inventar.

Talvez o início da pobreza no discurso tenha começado com as grandes guerras. Elas de certo modo colaboraram para destruirmos o senso de civilização culta construído durante anos. Talvez tenha destruído a dignidade e fé nos conceitos nobres e sofisticados. A humanidade, depois de tanto atraso medieval, tinha atingido um certo conceito de paz e intelectualidade, porém em pouco tempo vimos tudo desconstruído com duas guerras arrasadoras que acabaram com quaisquer tentativas de modos civilizatórios, especialmente na última, uma guerra pessoal, do cidadão e não somente dos homens de uniforme.

Em fins e início de século, vimos a ciência avançar. A teoria da evolução das espécies, descobertas cientificas, a noção do universo além do nosso pequeno globo, antropologia, sociologia e a revolução da física. A constatação que vivemos num planeta resultado de milhões de anos de consecutivos processos de evolução.

Do processo cíclico de destruição e criação. Do aparecimento e sumiço de espécies e áreas inteiras. A realidade a nossa volta. A difícil fuga do que é o mundo, feito de terra e pedra, por mais que acreditemos existir outras dimensões entre a nossa simples vida cotidiana.

O processo eleitoral do norte vem sendo marcado por discussões sobre conceitos religiosos básicos, trazidos normalmente por conservadores ou quase fundamentalistas. Assuntos que deveriam ter sido superados, especialmente naquela parte do globo que tanto colaborou para o avanço da civilização ocidental no século XX.

Não devemos nos limitar somente a assuntos religiosos. Na pauta sempre temos o terrorismo como arma psicológica para amedrontar os comuns. Agora a crise financeira. Algo também que parecia superado com um mercado internacional moderno. Parece que estamos regredindo e não será surpresa discutir os perigos de navegar pelos mares.

Nosso nível está muito baixo. O discurso está pobre e fútil. Isso me faz lembrar um clássico filme chamado “O Declínio do Império Americano”. O senso civilizatório parecia definhar quando passamos a nos apegar a conceitos fúteis, cretinos, pobres ou qualquer adjetivo que queiramos dar. Quando as preocupações baratas passam a ser mais importantes.

Será o começo do fim ? Estamos tão perdidos diante da nossa evolução que voltaremos a nos apegar a valores antigos ? Como num tempo tão moderno as mentes são compradas por fundamentalistas com discursos pegajosos ?

[], Eduardo Stefani - 28/10/2008

Link do artigo citado: http://www.slate.com/id/2203120

Postado em Política

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