Categoria: Pessoal
Constelação
Novembro 21st, 2009Em uma bela festa na noite do inverno carioca, entre os garçons servindo champagne e o tilintar agradável das taças, fico sozinho por alguns momentos e resolvo caminhar até a varanda. No caminho, passo por algumas senhoras com brilhantes colares e mostravam fotos umas às outras, das viagens pelo mundo. Do outro lado, senhores engravatados concentrados num belo computador portátil e certamente trabalham com tecnologia.
Quando chego na varanda, fico ali parado com a minha taça, entre um gole e outro, sentindo ar fresco sobre o meu rosto. Sem muito esforço, observo no horizonte uma constelação, muito brilhante por sinal, com luzes desorganizadas e pequenas variações de cores.
A diferença é que há vida naquela constelação, vida inteligente, de pessoas que nascem, vivem e morrem. As vezes morrem, mesmo sem esperar, de forma rápida e indolor. Elas não conhecem a causa daquela situação, somente vivem, com pequenas expectativas e não temem a morte, mas sim a vida, pois para elas, é amarga e cheia de perigo.
Os seres que vivem nessa constelação possuem experiências que são difíceis de explicar. São situações curiosas e contrangedoras, como a leitura dos olhos. Essas pessoas leem os olhos dos outros e veem neles o preconceito silencioso, a pupila que dilata e conta toda a verdade que é sistematicamente negada ou mesmo esquecida.
O interessante é que na constelação, festas também estão acontecendo, porém lá, há o risco de serem interrompidas a qualquer momento, por cidadãos que representam a lei ou por aqueles que desrespeitam a lei. Muitas vezes acabam com uma chuva de estrelas cadentes.
No passado havia o medo de uma invasão alienígena, porém hoje, há o receio que seres da constelação invadam o nosso mundo. Um medo terrível, que um dia em nossas ruas, sejamos agredidos, seja por pura revolta ou consciência da situação em que vivem.
Tudo é um culto à ignorância, do lado de quem não tem a instrução apropriada e do outro, que tem acesso a tudo, mas contaminado por um radicalismo excessivo, culmina em algo conservador, que acaba em um comportamento reacionário e impaciente. As vezes tenho a impressão de que não sabem que no universo é necessário um equilibrio de forças. Não há como viver isolado, sempre influenciamos, ou somos influenciados.
Passou-se dez minutos, até um gostoso perfume tomar conta do ambiente. Não sou um bom conhecedor, mas acho que era realmente envolvente. Sinto uma mão nos meus braços. Ao virar-me, vejo uma bela mulher que chama-me para o grande momento da festa. Com seus bonitos olhos, logo presto atenção para ver se ali havia algum sinal de preconceito. Imediatamente sinto-meculpado, pois como poderia uma mulher tão bela ter um comportamento assim. Entre os clarões dos flashs e olhares cultos dos seres do mundo civilizado, participo da celebração, mas não consigo tirar da cabeça a imagem da constelação.
[], Eduardo Stefani – 11/06/2005
Os ratos atrás das cortinas
Outubro 26th, 2009Em algumas reflexões sobre o comportamento dos cidadãos na sociedade, fiz uma analogia com ratos atrás da cortina de um teatro. Eles vivem em comunidade e precisam sobreviver, porém, a comida está no palco e não atrás das cortinas. Será necessário a coragem de um deles para arriscar-se, sair do local seguro e correr até o palco para encontrar a comida, com o risco de ser pego e morto.
Quando há o sucesso, todos são beneficiados e sobrevivem, com dependência total daquele que colocou sua vida em risco para obter o recurso tão necessário para o bem comum. Naturalmente o corajoso será um líder, respeitado e admirado pelos outros.
O problema na situação descrita é que um desequilibrio pode ser criado no momento em que todos sabem, que embora não façam muito esforço, a situação será solucionada por alguém. Pode demorar um pouco mais, ou pouco menos, mas a comida estará disponível de modo seguro. Enquanto isso, cada um cuida de seus interesses até que a comida esteja servida.
Essa analogia representa a situação na qual vivemos, porque sempre estamos em situações que decisões precisam ser tomadas e nem sempre há a mobilização necessária para o rápido desfecho, porque é muito mais confortável ficar atrás das cortinas esperando a solução, do que colocar a cabeça a risco e tentar resolver os problemas com os recursos disponíveis.
Uma nobre missão será encontrar o sentido democrático em todo esse processo, porque partimos do princípio que a coletividade deve decidir e não esperar que uma alma bondosa resolva tudo. O risco começa exatamente aí, porque ao esperarmos a ação isolada de um cidadão, não podemos garantir que o prestígio o e poder obtido pelo sucesso não encante sua mente e começe então, atos isolados com um tom mais radical, sempre aceito por aqueles que estão esperando atrás das cortinas.
O declínio de uma sociedade pode começar assim, quando os interesses individuais estão acima de tudo, não importanto a participação ou decisões em coletivo para o bem comum, pois o que interessa é da porta para dentro, o restante, alguém irá resolver.
Esse comportamento pode ser encontrado nas situações mais cotidianas, desde o vazamento de uma torneira numa área comum, até a votação para continuidade ou suspensão de um processo que afete a todos, os quais devem participar, e não uma pequena minoria, desgastada pelas responsabilidades, tanto coletivas como individuais.
O discurso é bonito, mas a prática terrível. Em virtude das decepções nacionais, é comum a percepção de que a política é algo sujo e desonroso, deste modo, sem peso algum na consciência, a omissão é generalizada diante de todos os fatos. As vezes passamos por cima do mesmo buraco, mas não temos coragem de pegar o telefone e avisar a companhia responsável. O argumento pode ser que isso não resolve, mas será que se houver um ato generalizado de telefonemas sobre o problema ele não será resolvido ?
Em todos os setores a quantidade sempre faz a diferença. A mobilização move montanhas. Será necessário um conflito nacional para todos saírem detrás das cortinas e unirem-se em prol de uma causa comum e o bem estar comum ?
A omissão e sedentarismo dos ratos atrás das cortinas gera um desequilibrio, sentido ao longo do tempo pelo pouco caso nos assuntos coletivos. Quando um rato se destaca, o poder toma conta de seu espírito e novos problemas surgem até que um outro decida adotar a mão de ferro e governar com seus próprios meios, pois ele sabe que o restante está dormente e faminto.
[], Eduardo Stefani – 22/06/2005
O breve sabor
Outubro 21st, 2009A vida é um piscar de olhos! Não sabemos de onde viemos e nem para onde iremos. Em cada época e cultura, resume-se de uma forma. Para os Vikings o lugar sagrado para onde caminhavam era o Valhala e o grande orgulho era morrer com uma espada em punho em um campo de batalha. Havia uma grande veneração pelo deus Odin e um temor sobrenatural dos perigos do mar venenoso, mas viviam com seu valores e hoje os estudamos como povos bárbaros.
Os Maias por outro lado, eram muito mais cultos. Veneravam vários deuses relacionados à natureza e ao contrário dos povos bárbaros, acumularam conhecimentos aprofundados sobre arquitetura e matemática, inclusive com o uso de casas decimais e o valor zero.
Vemos então, analisando duas civilizações, a maneira distinta como viviam. Cada uma com seus valores culturais e convicções, acerca da vida e religião.
Nossa missão agora é entender no que resume-se a vida na atualidade e sobre o que iremos deixar escrito para nos estudarem no futuro. O desafio é entender o que estamos fazendo neste globo, correndo a milhares de quilômetros por hora, solto no espaço, em rota de colisão com algo que ainda não conhecemos e com tudo movimentando-se sob nossos pés. Vivemos no meio de uma intensa atividade deste rico planeta que as vezes revolta-se e nos pune como uma mãe, fazendo o chão tremer e colocando-nos no devido lugar. Há o temor de que nossa estada aqui resuma-se somente a mais uma experiência e no final, mais uma civilização perdida nos livros de História. Porém, se tivermos sorte e capacidade, poderemos quebrar um ciclo de idas e vindas, perpetuando uma civilização que encontra-se agora com um alto nível intelectual, embora, ainda tenha muitos problemas morais e espirituais a serem solucionados.
Com um pouco de análise constatamos que somos mais uma das inúmeras civilizações que já andaram por este globo. Há indícios, fortes por sinal, de que já houve algumas com um grau muito avançado de tecnologia, inclusive com o conhecimento de armas nucleares. Para quem tem dúvidas, há um escrito Hindu chamado Mahabharata que descreve detalhadamente ataques nucleares, provando que não estamos sozinhos no que refere-se a armamentos e talvez tenham provocado uma aniquilação, risco que também corremos.
As vezes reflito se tudo o que nos cerca é uma daquelas lembranças turísticas, fechada, cheia de água, com uma área limitada e um mundo controlado. Há também a possibilidade que tudo seja a reprodução exata da alegoria da caverna do nosso ilustre Platão. O perturbador é desconfiar que tudo a nossa volta desde que nascemos, não passa de sombras, ou talvez um espaço limitado dentro de um presente, descansando sobre um armário.
Penso se há alguém nos olhando, como olhamos uma lembrança, ou se há algo além das sombras, de modo que possamos sentir o sabor e cheiro. Mas aí temos o problema dos nossos sentidos, limitados pelo ambiente, talvez seja melhor ficar no mundo das idéias.
A vida cotidiana tira todos os sabores da aventura de estar aqui neste globo. Todos sabemos que chegar aqui é uma grande aventura, possível somente para poucos. Desde o momento da concepção, passamos pelas mais diversas dificuldades e aqui estamos, em carne e osso, carregando em nossos ombros o peso da gravidade. Passamos pelas mais diversas experiências e provações e mesmo totalizando alguns bilhões, somos frágeis como formigas, com o risco de sermos varridos por uma vassoura celestial a qualquer momento.
Outra questão mais transcendental é se tudo será enterrado conosco ou se teremos condições de aproveitar essas experiências em outras oportunidades, ou seja, em outras estadas, não necessariamente neste globo. Algo como um grande diário que será sempre consultado por nós, cada um com sua individualidade.
A diferença entre nós humanos e outros bichos, é essa capacidade de questionar o nosso destino, ainda mais por estarmos vivendo o fato e olhando de dentro. Olhar de fora é muito fácil, mas estar dentro nos dá uma visão contaminada. As estrelas nos olham de uma forma, nós, aqui, nos olhamos de outra. Infelizmente não podemos como conversar com as estrelas, mas mesmo se pudéssemos, conversaríamos com o nosso passado.
Tudo o que vivemos não passa de um breve sabor, muito súbito. Quando começa, já está perto do final. Para nós presos aqui neste globo, tudo custa muito a passar, porém, pensando universalmente, não passa de uma fração de alguma medida de tempo que ainda não conhecemos.
Toda essa apresentação tem o objetivo de invocar a reflexão sobre tudo o que está a nossa volta e fazer disso, o melhor possível. Tentar escapar daquelas preocupações cotidianas que nos aprisionam, tornando a vida uma mera sobrevivência. Vamos confessar : Todos nós temos o pressentimento de que não é só isso. Façamos bom uso do breve sabor.
[], Eduardo Stefani – 24/06/2005
Sejam bem vindos ao meu blog!
Outubro 27th, 2008Em 2002 eu criei o meu website. Nos 6 anos que o administrei, seu auge foi durante a faculdade, pois eu o atualizava diariamente e de certo modo acabou virando uma referência para colegas de computação baixarem trabalhos, apostilas ou matérias dadas em sala de aula. Dividido em várias sessões, eu postava fotos, notícias e o que mais gostava, artigos que escrevia sobre os mais diversos assuntos.
O tempo passou, acabei a faculdade e atualizar o meu website pessoal virou uma tarefa penosa. Não tenho muito o que postar, já que os assuntos da faculdade acabaram. De certo modo, deixou de ter audiência, já que meus colegas próximos também se formaram e isso tudo cria um grande círculo vicioso, no qual eu paro de atualizar e a audiência vai embora.
Eu resolvi então, transformar o website num blog. Agora não terei mais sessões distintas e tudo será baseado na postagem de artigos. Gosto muito de escrever e pretendo compartilhar idéias com colegas e potenciais colaboradores.
Como não desejo perder todo o conteúdo que postei no website, vou resgatar todos os artigos, revisar e finalmente colocá-los no blog. Tenho um projeto também para traduzí-los para o inglês. Alguns artigos foram escritos há mais de 10 anos e além de um outro olhar sobre o mesmo assunto, certamente deixarei de tratar os mesmos assuntos. Podemos dizer que escrevi alguns artigos de certo modo polêmicos e que podem passar uma imagem um tanto excêntrica sobre mim! Adicionalmente, postarei comentários sobre tais artigos. Talvez isso me salve de interpretações erradas ou da falta de compreensão sobre o momento histórico de cada assunto.
Tentarei nas próximas semanas colocar todos os antigos artigos no ar e iniciar o esforço para a redação de novos.
Sejam bem vindos a essa nova fase... A do meu blog!
[], Eduardo Stefani - 27/10/2008