Categoria: Cultura
Carência, Insegurança ou Complexo de Inferioridade
Novembro 3rd, 2008O brasileiro é um povo nobre, sofrido e persistente. Mesmo diante de tantos abusos de sua soberania e estado psicológico, ainda é forte para continuar lutando. Talvez tais abusos os levem a uma carência, insegurança ou até mesmo complexo de inferioridade, porque com pouca análise percebemos que o povo brasileiro possui grande desejo de ser amado e querido por todos e fica horrorizado quando isso não ocorre.
Inicialmente precisamos analisar a relação do povo brasileiro com o resto do mundo. Há o desejo que todos os cidadãos do mundo admirem sua seleção de futebol, samba, praia, clima e simpatia. Além disso, o brasileiro deseja ser fluente em todas as línguas e em algumas vezes deseja até se misturar entre outros cidadãos, quase como uma renúncia da sua própria nacionalidade. Vemos então um conflito traumatizante. De um lado é arrogante e impiedoso ao apresentar a sua seleção de futebol e de outro é absolutamente subserviente, abrindo mão até de sua fantástica e sofisticada língua.
Quando viaja ao exterior espera comoção de todos diante de sua presença e pensa que é charmoso, sensual e conquistador. É engraçado o mito da potencia sexual e povo quente, como se fosse privilégio de uma única nação possuir os talentos da procriação.
Sinto por não ser psicólogo, caso contrário, escreveria aqui uma análise mais efetiva do que acontece na mente de um brasileiro quando há a relação com outra cultura.
O problema é que normalmente todas as expectativas do povo brasileiro são preenchidas, principalmente quando invadem a Europa e América do Norte a passeio. Como as viagens são dispendiosas, somente uma pequena parcela da população consegue realizar tal façanha e inevitavelmente são sempre reverenciados pelo futebol, praias e o mito da sexualidade.
Em verdade, parece ser uma dádiva dos deuses ou uma grande recompensa quando passam alguns dias no exterior a turismo ou a trabalho. A arrogância e complexo de inferioridade se misturam. Simultaneamente vestem a camisa da seleção e sentem-se os melhores do mundo, porém ficam impressionamos pelo poste que é semanalmente limpo por um funcionário da prefeitura. Exibem-se para as mulheres nórdicas com a quente sexualidade e se espantam com as faixas de pedestres filmadas e controladas pela polícia metropolitana.
É um conflito sem precedentes. Um complexo de inferioridade, misturado com insegurança e finalmente com um pouco de carência. Algo falta na alma do brasileiro para existir a segurança no olhar e apresentar outros argumentos que não sejam a sexualidade, praia e futebol. Todos sabem, exceto eles, que não faltam argumentos para um brasileiro se orgulhar no exterior.
A outra face do problema aparece quando um brasileiro viaja às áreas mais pobres do planeta, inclusive para áreas pais pobres do que seu próprio país. O principal exemplo são seus vizinhos, nos quais a admiração pelo futebol, praia e sexualidade é relativa e invariavelmente o brasileiro experimenta a sensação de não ser bem vindo.
Ficam horrorizados quando viajam à América do Sul e não são tão queridos. Passam a desejar vingança quando restrições são colocadas às suas empresas, principalmente as de energia.
Quando são contrariados, desejam imediatamente a retaliação, vingança, sanções ou qualquer ação que renove o ego. São senhores de engenho e desejam respeito, porém no momento seguinte são obedientes como um escravo. Tudo dependerá da platéia. Se estiverem numa área pobre, serão astros, mas se forem para uma área rica. serão os desgraçados.
O ilustre vizinho dos brasileiros é o maior exemplo de contrariedade e considero que possuam muito que aprender com os irmãos argentinos. Os argentinos os criticam, fazem piadas e se consideram declaradamente melhores sem piedade. Em alguns momentos os acham imperialistas e em outros falsos. Já escutei de amigos argentinos que os brasileiros têm a mania de querer dominar o mundo.
Eles têm a tendência de se compararem. O interessante é que há um senso megalomaníaco nas comparações, pois no primeiro problema que enfrentam logo fazem uma paralelo com a realidade na Suíça, Dinamarca, Noruega ou qualquer país com um alto índice de qualidade de vida. Nunca comparam relativamente com países no mesmo nível cultural ou com áreas menos prósperas de países ricos. Isso deve trazer grandes depressões, porque naturalmente muitas praças brasileiras são mais sujas e descuidadas do que as praças de Genebra, aliás, muitas praças do mundo devem estar na mesma situação.
O brasileiro é um povo doce é muito bondoso e sei que terão um lugar nobre na história da civilização ocidental, porém eles precisam amadurecer como nação e entenderem que são os donos de sua própria história.
Infelizmente os brasileiros cometem o mesmo erro que cometi durante todo este texto. O país e o povo brasileiro na terceira pessoa.
[], Eduardo Stefani – 25/10/2007