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Animal Social
Fevereiro 7th, 2012Sempre existiu no ser humano a necessidade de agrupar-se para reforçar sua identidade e força. Não é difícil observar mudanças comportamentais de uma mesma pessoa quando ela está só e depois quando em grupo.
No passado o agrupamento era necessário no dia a dia, diretamente ligado à sobrevivência, porém hoje, nem tanto. Vivemos em enormes aglomerados humanos, mas com um isolamento maior do que em uma pequena comunidade medieval.
A diferença hoje é que há um conflito interno, porque nos tornamos um animal social, o qual precisa constantemente reprimir seus instintos para viver pacificamente dentro de uma sociedade, ou ao menos, de modo que não seja recusado.
Vamos usar como exemplo a reprodução. Se pensarmos como função exclusivamente biológica, a função final de um ser humano é reproduzir-se. No caso do macho, com o máximo de fêmeas que for possível, até para que exista uma variedade genética. No caso da fêmea, com o melhor macho disponível a partir de critérios relativos. Tudo isso pode parecer um absurdo, mas vamos levar em consideração que estamos olhando agora como um animal social, com toda uma cultura embutida em nosso pensamento.
Ainda na questão da reprodução, em verdade não podemos simplesmente reproduzir, porque há também questões sociais que não existiam antes. Hoje, um filhote de ser humano implica em uma série de dispositivos que muitas vezes inviabiliza a reprodução, como por exemplo, educação, alimentação e saúde, além de demandas sociais intermináveis.
Agora partindo para a sobrevivência, tento imaginar a sensação de um primitivo ao agrupar-se e correr para a caça e ter como recompensa, uma suculenta presa para ser cortada e deliciada. Hoje, vamos aos supermercados e sem muito esforço pegamos nossos alimentos nas prateleiras. Ainda caçamos, mas de forma diferente. Não precisamos de lanças, mas sim, de um óculos e uma caneta. Gastamos muito menos energia para essa tarefa, embora soframos dos males modernos.
Lanço uma pergunta: Será que a energia que antes despendíamos para caçar, hoje está na verdade adormecida, e as vezes é despertada nas situações em que estamos agrupados, e ela explode com uma força que normalmente nos impressiona ?
Analisemos uma torcida em uma partida de futebol, que parece ser algo desproporcional com o texto, mas que independente da classe social, quando o homem vê-se diante de uma paixão, agrupa-se e torce de forma doentia. As vezes briga, perde amizades e até tira vidas por essa causa. Não será a energia adormecida, a agressividade genuína do ser, que explode e transforma-se em violência ?
De qualquer modo, um ser humano quando agrupado é algo amendrotador. Quem já prestou atenção no chão tremendo quando há uma aglomeração, sabe do que estou falando. Se algo der errado, as consequências são terríveis.
O importante agora é voltar à nossa vida cultural e cultivar o animal social que somos. Precisamos aperfeiçoar essas habilidades, tão recentes, para vivermos pacificamente.
[], Eduardo Stefani – 14/06/2005
