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O Presidente Reeleito
Tivemos na última terça-feira as eleições estadunidenses, antecedida de muita expectativa, pois na última em 2000, a demora foi desastrosa para o irmão do norte. Desde aquela data foram governados por um presidente que não foi eleito e fico imaginando o tamanho da repercussão se esse episódio tivesse ocorrido aqui na América Latina.
Somente dois candidatos tinham expressão, o próprio presidente, o republicano George W. Bush e seu concorrente democrata John F. Kerry. Havia muita expectativa aqui no Brasil quanto ao ganhador, pois a esperança era de uma direção mais moderada por parte de Kerry, especialmente por ser democrata, embora a caneta presidencial pese nas mãos e as ações sempre são diferentes do discurso. Sempre me pergunto sobre a razão da intensa paixão dos brasileiros pelos democratas.
O republicano ganhou com segurança, sem incidentes e atrasos. Analisando as imagens dele votando, parecia saber que ganharia. Agora o conservadorismo ficou mais forte! Acredito que devemos ter sempre uma dose de conservadorismo, porém não podemos cair para o lado do radicalismo ou fundamentalismo.
Por outro lado, observamos que há uma ligeira negligência com relação ao Brasil e América Latina, talvez positiva. O irmão do norte está totalmente consumido com a sombra de uma recessão, suas tropas em guerra no exterior e outras questões internas. Enquanto isso, a América Latina não incomoda, portanto tem caminho livre, fora do radar do Império. Talvez isso, no fim, seja mais positivo do que uma observação atenta de uma outra administração.
Ainda não sabemos quais serão os desdobramentos dessa eleição, mas fico espantado com os comentaristas. Agora ficaram todos moderados. Antes eram contra o George W. Bush, agora não são tanto. Parace até que bate um esquecimento em todos. O Governo Brasileiro, corretamente, não se pronunciou e não mostrou alinhamento. Isso é importante, porque somos um país de importância, porém ainda dependente das ações externas. Não é aconselhável tomar posições precipitadas que podem trazer problemas de ordem diplomática.
Talvez só iremos perceber no futuro, mas acredito que a democracia esteja mudando. A noção original não cabe mais nas condições atuais. Hoje nos Estados Unidos praticamente não há oposição e quem for contra determinadas ações é tratado como antipatriota. Isso abre caminho para ações radicais, fundamentalismo e finalmente misturar religião com política. Um caminho muito perigoso para a América que se orgulha pelo liberalismo e tolerância. O ocidente que se orgulha pela sua cultura e domínio, não pode se deixar levar por estas ações, pois será então igual aos povos que misturam política, religião e alimentam o fundamentalismo, os quais não entendem a liberdade.
Agora temos as velhas questões: Como essa administração vai tratas as questões ambientais, a causa palestina e o terrorismo mundial.
[], Eduardo Stefani – 04/11/2004