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Fluxos de capitais e teoria do investimento internacional, Parte 2
Fevereiro 29th, 2012A importância cada vez maior do investimento externo direto como fonte de capital e tecnologia para o desenvolvimento econômico levou as economias hospedeiras a pesar cuidadosamente suas vantagens e desvantagens. Analise os principais benefícios e malefícios das presença crescente das empresas multinacionais.
Embora as empresas multinacionais estejam presentes em países industrializados e em desenvolvimento, os em desenvolvimento são os que mais analisam e debatem os benefícios e malefícios desse tipo de investimento. Os países se preocupam com a possibilidade de provocarem uma competição desigual com as empresas locais, as quais não possuem acesso ao mesmo montante de financiamento que uma empresa multinacional possui. Há também um item de especial atenção que é a alta concentração de poder pelas empresas multinacionais, especialmente para países de governos fracos, os quais ficam em geral submetidos a todo tipo de pressão. Juntamente com essa concentração de poder, vem os potenciais movimentos de corrupção, suborno, privilégios, beneficiamento da elite local, entre outros fatores que acompanham o poder. Outras preocupações atingem também os países industrializados, mas de modo mais dramático os em desenvolvimento. Podemos citar a diluição da cultura local com a importação de novos costumes e estilos de vida, além do risco desses investimentos atingirem áreas de comércio estratégico, setores industrias importantes que finalmente podem comprometer a segurança nacional de um país. Isso não é exagero se pararmos para pensar o quanto uma empresa multinacional ou alianças delas consegue influenciar um país, ao entrar em áreas sensíveis como as aeroespacial, telecomunicações, energia, etc. Um exemplo clássico é o embate entre Estados Unidos e a China, sobre a abertura de filiais da Boeing em solo Chinês, com a inclusão de transferência de tecnologia.
Por outro lado não podemos negar a série de benefícios que os investimentos das empresas multinacionais trazem a um país, a começar pela modernização e transferência de tecnologia. Os países recebem um novo ânimo econômico com a inserção de novos hábitos e formas de trabalhar. A transferência de tecnologia é especialmente importante por possibilitar que um país assimile novas técnicas, a ponto de poder alcançar autonomia e potencialmente criar novas indústrias. Esse tipo de investimento viabiliza também o treinamento da força de trabalho e de certo modo a deixa universalizada, ou seja, alinhada às demandas internacionais em termos de produtividade e qualidade. Finalmente a entrada de um investimento pode gerar o efeito propagação e provocar uma reação em cadeia em toda a economia.
A resistência por parte dos países hospedeiros já foi maior, mas hoje existe um movimento de busca por esses investimentos, ou seja, os países em verdade criam estratégias para atrair novos investimentos e viabilizar todas a modernização que já tratamos neste texto, mas não deixam de fazer suas condições, como por exemplo exigir um percentual de conteúdo nacional nos produtos produzidos pelas empresas multinacionais. Isso é muito comum no setor automobilístico. Os malefícios ficam sempre na pauta, mas um país não consegue atingir o mercado internacional sem atrair o investimento das empresas multinacionais.
O fato curioso é que os países em desenvolvimento estão atingindo níveis de industrialização que permitem o investimento externo direto, inclusive em países tradicionalmente industrializados.
Tema da disciplina de Economia e Política Internacional da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da FESPSP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
Fonte: O Desafio do Capitalismo Global (2004), Robert Gilpin.
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Eduardo Stefani – 29/02/2012
Fluxos de capitais e teoria do investimento internacional, Parte 1
Fevereiro 29th, 2012Essas empresas expandem-se para o exterior basicamente através de investimentos externos diretos que aproveitam os avanços tecnológicos e a liberalização econômica para transformar o mundo dos negócios internacionais. Explique as estratégias corporativas, os novos métodos de produção e a organização industrial.
As estratégias corporativas podem ser divididas em algumas fases: Uma empresa produz dentro de suas fronteiras nacionais e exporta seus produtos. A dificuldade encontrada nessa estratégia é a imposição de barreiras pelos países importadores. É um mecanismo eficiente para inibir a entrada de produtos importados em um determinado país. Depois dessa fase, com os Estados Unidos especialmente, iniciou-se a abertura subsidiárias nos exterior, mas eram empresas completamente autônomas. Eram cópias literais das empresas que existiam nos países de origem. O fato é que esse tipo de investimento tende a reduzir o comércio, por voltar a atenção somente aos fornecedores locais. Essa estratégia é chamada de investimento horizontal. A empresa reproduz todo o ciclo de produção e não motiva grande fluxo de comércio internacional.
Finalmente as empresas passaram a adotar o investimento vertical, com ampla terceirização global. Trata-se de uma estratégia que faz uso de uma ampla rede de alianças, subcontratação, licenciamentos e acordos. Viabiliza a produção em um país, a montagem em outro, com a venda em um terceiro, contando com alianças para pesquisa e marketing.
A decisão sobre qual país produzir e montar, dependerá então da estratégia corporativa. Avaliará aspectos como questões de infraestrutura, facilidades de transporte e tudo levará em conta como uma economia pode contribuir para se alcançar uma vantagem comparativa.
A ênfase exclusiva em recursos naturais e mão de obra não qualificada foi superada. Hoje mais fatores entram na equação e afetam diretamente a estratégia. Justamente pela redução da importância dos recursos naturais, há uma tendência de deslocamento da produção para localidades próximas e países vizinhos. Essa tendência fortalece os blocos regionais e regionaliza os serviços e produção.
Diante da falta de regras para o investimento externo direto e pouca expectativa sobre políticas que orientem e organizem as empresas multinacionais espalhadas pelo mundo, a regionalização é de grande importância, por fortalecer alianças, fazer uso de similaridades culturais e finalmente potencializar as facilidades logísticas
O gênio dificilmente voltará à lâmpada e resta-nos somente viabilizar estratégias corporativas que não tornem a vida impossível nos países de origem e hospedeiros.
Tema da disciplina de Economia e Política Internacional da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da FESPSP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
Fonte: O Desafio do Capitalismo Global (2004), Robert Gilpin.
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Eduardo Stefani – 29/02/2012
Romance de uma Revolução
Fevereiro 9th, 2012Há um sistema operacional que vem sendo utilizado por muitas empresas e com projetos consistentes de adoção em outras. Como consequência, tem movimentado muito o mercado de informática no Brasil, no mundo e conquistado usuários dos mais diferentes níveis. Hoje, quando lemos notícias ou instalamos este sistema numa empresa com motivações comerciais ficamos admirados com o seu surgimento.
Diferente de muitos sistemas e produtos que temos disponíveis, este não surgiu com interesses comerciais. Ele não nasceu dentro de uma empresa visando lucro e dominação do mercado. Muito pelo contrário, ele nasceu simples e de forma quase que romantica.
Imagine um jovem rapaz, com poucos recursos, num país gelado que não oferece muitas opções, num inverno rigido. Junta um pouco de dinheiro, paga a entrada e financia o restante de seu computador. Era um PC 386, que em tese levaria três anos para estar pago.
O computador veio com o DOS instalado, porém não era o que ele desejava. Comprou um sistema operacional chamado Minix e esperou chegar via correio em seu distante país. Instalou e ficou muito frustado com o emulador de terminal disponível. Seria justamente a ferramenta para ele acessar o computador da universidade e fazer alguma coisa de útil com aquela nova máquina.
Vendo a ausência e a necessidade de um bom emulador, ele resolveu iniciar um projeto para o desenvolvimento de um novo. Depois de muito esforço e testes, conseguiu chegar numa versão estável. Podia agora acessar o computador da universidade, ler mensagens eletrônicas e verificar a lista de discussão na qual participava. Mas como todo sistema, este ainda não estava completo. Logo, foi necessária a capacidade de enviar e receber arquivos, ou seja, era necessário um driver de acesso ao disco, bem como um driver de sistema de arquivos, de modo que os dados pudessem ser visualizados e armazenados. Observamos então que aquele simples emulador de terminal começou a se parecer mais com um sistema operacional.
Neste momento o jovem rapaz, um finlândes chamado Linus Torvalds, estudante do último ano de ciência da computação na Universidade de Helsinque, sentiu a necessidade de usar um padrão. Logo, pensou no POSIX, padrão também implementado no Unix. Para isso, Linus enviou uma mensagem ao grupo de discussão perguntando se alguém teria o POSIX para fornecer. Ele não recebeu nenhuma ajuda e começou a seguir outros caminhos para encontrar tal documentação. Depois de algum tempo, recebeu uma mensagem de Ari Lemke, professor assistente da Universidade de Tecnologia de Helsinque, que ficou interessado pelo uso do POSIX, pois significa padrões para o desenvolvimento de um sistema operacional. Ofereceu a Linus um diretório no servidor FTP da universidade, a fim de disponibilizar o projeto para que pessoas interessadas pudessem baixá-lo.
Com muito trabalho e algumas frustações, Linus conseguiu desenvolver um SHELL funcional e em seguida compilou facilmente programas como LS (listar arquivos) e CP (copiar arquivos). Agora o projeto virou definitivamente um sistema operacional e em 17 de Setembro de 1991 foi postada para o diretório FTP a versão 0.01 do Linux, nome sugerido por Ari Lemke em substituição ao Freax, nome criado por Linus Torvalds.
As coisas aconteceram muito rápido e no início do mês de outubro a versão 0.02 foi lançada com o celebre anúncio: "Você suspira pelo dia em que os homens eram homens e escreviam seus próprios drivers de dispositivos". No mês de novembro foi lançada a versão 0.03. Tudo começou a virar somente correção de falhas, desestimulando um pouco Linus até que a perda acidental de sua partição, com o Minix instalado, o fez mudar de idéia. Além, é claro, do crescente retorno por parte das pessoas que faziam experiências com o Linux. Neste momento veio uma dúvida: Reinstalar o Minix ou trabalhar fortemente no Linux para que ele se torne o ambiente principal em seu computador. Ele optou pela segunda opção e começou a trabalhar.
Em meados de 1992 o sistema começou a tomar vulto, inclusive ofuscando a importância do Minix. Em virtude disso, Linus teve que se defender publicamente pela primeira vez. A arquitetura adotada foi a de kernel monolítico. Kernel é o núcleo de um sistema operacional, o começo de tudo. Monolítico significa que o sistema todo se concentra num único arquivo. Já o conceito de micro kernel é ao contrário. Um núcleo contendo o mínimo possível, com todas as outras partes separadas (justamente a arquitetura adotada para o Minix).
Na visão de Linus, desenvolver separadamente transformava sua comunicação tão complicada quanto concentrar tudo num único arquivo. Mas essa diferença foi motivo de ataques por parte de Andrew Tanenbaum (criador do Minix e autor do livro que Linus leu antes de iniciar seu projeto). Ele dizia que o Linux já nasceu ultrapassado, pois todos os antigos sistemas operacionais usavam o formato monolítico. Linus disse, além de outras coisas, que a maior parte do código bom do Minix parecia ter sido escrita por Bruce Evans, um australiano que escreveu melhorias para o Minix e tornou o sistema mais utilizável.
Junto com esse clima de hostilidade, Linus vivia com uma eterna dúvida sobre os caminhos do Linux, já que ele tinha muito medo que alguém se apoderasse de sua criação. Desejava que houvesse algum interesse comercial, mas sem correr o risco de perder o controle sobre seu sistema.
Talvez essa preocupação tenha provocado um avanço estratégico. Linus abandonou antigos direitos autorais e adotou a GPL (General Public License), licença escrita por Richard Stallman em 1984 com a criação do projeto GNU. O interessante é que, em 1991, Linus assistiu uma palestra de Stallman na finlândia. Certamente esse conceito de licença livre ficou plantada em suas idéias.
Enquanto isso, a comunidade se fortalecia. Tecnicamente, o Linux vinha melhorando muito. Numa ocasião, uma pessoa da Alemanha estava tentando compilar o Linux com somente 2 mb de memória RAM. Isso não era possível até que foi implementado o recurso de espaço de troca, permitindo que aplicações maiores que sua memória pudessem ser utilizadas. Esse grande avanço foi lançado na primeira semana de 1992. Com novos recursos, o Linux cresceu rápido. Já se tornava mais interessante do que todos os seus concorrentes. Em 1994 foi lançada oficialmente a versão 1.00 com grande divulgação e festa pela comunidade existente. Muitas mudanças foram implementadas. Havia a cada dia uma comunidade maior de desenvolvedores comprometidos com a causa livre. Isso acabava com o medo que Linus tinha de perder sua criação. Qualquer tentativa de posse ilegal seria motivo de grande barulho por parte de todos aqueles que trabalhavam com seu desenvolvimento. Mas isso não impediu que um oportunista registrasse o nome Linux. Isso fez com que todos entendessem que era necessário registrar em nome de Linus, porque mesmo em nome de alguma instituição havia riscos, pois não saberíamos quem poderia presidi-la no futuro. A questão foi resolvida após um processo judicial.
Atualmente temos a versão 2.6, com sofisticados recursos e com desenvolvedores capacitados trabalhando dia e noite. Sendo livre, não há nenhum tipo de restrição. Absolutamente todos os países podem utilizá-lo, ao contrário de soluções proprietárias. Nenhuma empresa possui tantos desenvolvedores, em quantidade e qualidade, desenvolvendo um único sistema. Tudo isso nos leva a entender que estamos vivendo uma revolução, algo de bom no meio de tudo que nos envergonha na história de nossa era.
Talvez um dia o Linux não seja tão atraente como é hoje, mas uma coisa podemos ter certeza, o seu sucessor também será livre e inspirado nele. Este exemplo de trabalho conjunto que vem mudando a história da informática e ficará para sempre.
[], Eduardo Stefani
Gim Tônica
Fevereiro 9th, 2012Cheguei em casa hoje com um final de tarde muito quente e úmido. Viver nos trópicos é algo espetacular, pois temos o frio suficiente e o calor mais que o suficiente. O fato é que cheguei em casa exausto e pensando em um drink para fugir do calor.
Olhei para o meu bar e acabei por escolher o gim, mas vejamos, o gim é uma bebida perfumada e se bebida a solo, esquenta o suficiente para um inverno daqueles de São Paulo. A minha receita foi gelo, limão taiti, água tônica não diet e um bom gim daqueles Beefeater. A bebida foi refrescante e trouxe algo revitalizante depois de um dia quente.
Depois de alguns goles surgiu uma curiosidade sobre a origem dessa bebida. É fácil saber que o gim é praticamente uma instituição inglesa, mas eu não sabia que o gim foi muito popular na Inglaterra do Século XVIII por adultos e também crianças. O mais interessante é saber que durante o Século XIX foi uma bebida muito prestigiada e uma das preferidas da Rainha Mãe.
A bebida que estou apreciando é a gim tônica, uma mistura de aguardente de zimbro com água de quinino. O lado bom é que tudo isso é medicinal, pois o primeiro é eficiente contra a peste negra e o segundo, contra a malária. Em verdade não sei qual a razão de eu estar preocupado com isso, mas de qualquer modo se é medicinal, estou na linha certa. Se precisar explicar para a mulher em casa, estarei bem, pois estou cuidando da minha saúde.
No meio dessa discussão pessoal e medicinal, lembrei que a gim tônica surgiu durante a dominação da Índia. Imagine o calor que se faz na Índia e o quanto essa bebida é refrescante, além de servir como proteção contra alguns males locais. Fico aqui pensando sobre quantas decisões foram tomadas sob o efeito dessa atordoante bebida.
Saúde ao Império Britânico!
[], Eduardo Stefani, 09/02/2012
Animal Social
Fevereiro 7th, 2012Sempre existiu no ser humano a necessidade de agrupar-se para reforçar sua identidade e força. Não é difícil observar mudanças comportamentais de uma mesma pessoa quando ela está só e depois quando em grupo.
No passado o agrupamento era necessário no dia a dia, diretamente ligado à sobrevivência, porém hoje, nem tanto. Vivemos em enormes aglomerados humanos, mas com um isolamento maior do que em uma pequena comunidade medieval.
A diferença hoje é que há um conflito interno, porque nos tornamos um animal social, o qual precisa constantemente reprimir seus instintos para viver pacificamente dentro de uma sociedade, ou ao menos, de modo que não seja recusado.
Vamos usar como exemplo a reprodução. Se pensarmos como função exclusivamente biológica, a função final de um ser humano é reproduzir-se. No caso do macho, com o máximo de fêmeas que for possível, até para que exista uma variedade genética. No caso da fêmea, com o melhor macho disponível a partir de critérios relativos. Tudo isso pode parecer um absurdo, mas vamos levar em consideração que estamos olhando agora como um animal social, com toda uma cultura embutida em nosso pensamento.
Ainda na questão da reprodução, em verdade não podemos simplesmente reproduzir, porque há também questões sociais que não existiam antes. Hoje, um filhote de ser humano implica em uma série de dispositivos que muitas vezes inviabiliza a reprodução, como por exemplo, educação, alimentação e saúde, além de demandas sociais intermináveis.
Agora partindo para a sobrevivência, tento imaginar a sensação de um primitivo ao agrupar-se e correr para a caça e ter como recompensa, uma suculenta presa para ser cortada e deliciada. Hoje, vamos aos supermercados e sem muito esforço pegamos nossos alimentos nas prateleiras. Ainda caçamos, mas de forma diferente. Não precisamos de lanças, mas sim, de um óculos e uma caneta. Gastamos muito menos energia para essa tarefa, embora soframos dos males modernos.
Lanço uma pergunta: Será que a energia que antes despendíamos para caçar, hoje está na verdade adormecida, e as vezes é despertada nas situações em que estamos agrupados, e ela explode com uma força que normalmente nos impressiona ?
Analisemos uma torcida em uma partida de futebol, que parece ser algo desproporcional com o texto, mas que independente da classe social, quando o homem vê-se diante de uma paixão, agrupa-se e torce de forma doentia. As vezes briga, perde amizades e até tira vidas por essa causa. Não será a energia adormecida, a agressividade genuína do ser, que explode e transforma-se em violência ?
De qualquer modo, um ser humano quando agrupado é algo amendrotador. Quem já prestou atenção no chão tremendo quando há uma aglomeração, sabe do que estou falando. Se algo der errado, as consequências são terríveis.
O importante agora é voltar à nossa vida cultural e cultivar o animal social que somos. Precisamos aperfeiçoar essas habilidades, tão recentes, para vivermos pacificamente.
[], Eduardo Stefani – 14/06/2005
O Presidente Reeleito
Fevereiro 6th, 2012Tivemos na última terça-feira as eleições estadunidenses, antecedida de muita expectativa, pois na última em 2000, a demora foi desastrosa para o irmão do norte. Desde aquela data foram governados por um presidente que não foi eleito e fico imaginando o tamanho da repercussão se esse episódio tivesse ocorrido aqui na América Latina.
Somente dois candidatos tinham expressão, o próprio presidente, o republicano George W. Bush e seu concorrente democrata John F. Kerry. Havia muita expectativa aqui no Brasil quanto ao ganhador, pois a esperança era de uma direção mais moderada por parte de Kerry, especialmente por ser democrata, embora a caneta presidencial pese nas mãos e as ações sempre são diferentes do discurso. Sempre me pergunto sobre a razão da intensa paixão dos brasileiros pelos democratas.
O republicano ganhou com segurança, sem incidentes e atrasos. Analisando as imagens dele votando, parecia saber que ganharia. Agora o conservadorismo ficou mais forte! Acredito que devemos ter sempre uma dose de conservadorismo, porém não podemos cair para o lado do radicalismo ou fundamentalismo.
Por outro lado, observamos que há uma ligeira negligência com relação ao Brasil e América Latina, talvez positiva. O irmão do norte está totalmente consumido com a sombra de uma recessão, suas tropas em guerra no exterior e outras questões internas. Enquanto isso, a América Latina não incomoda, portanto tem caminho livre, fora do radar do Império. Talvez isso, no fim, seja mais positivo do que uma observação atenta de uma outra administração.
Ainda não sabemos quais serão os desdobramentos dessa eleição, mas fico espantado com os comentaristas. Agora ficaram todos moderados. Antes eram contra o George W. Bush, agora não são tanto. Parace até que bate um esquecimento em todos. O Governo Brasileiro, corretamente, não se pronunciou e não mostrou alinhamento. Isso é importante, porque somos um país de importância, porém ainda dependente das ações externas. Não é aconselhável tomar posições precipitadas que podem trazer problemas de ordem diplomática.
Talvez só iremos perceber no futuro, mas acredito que a democracia esteja mudando. A noção original não cabe mais nas condições atuais. Hoje nos Estados Unidos praticamente não há oposição e quem for contra determinadas ações é tratado como antipatriota. Isso abre caminho para ações radicais, fundamentalismo e finalmente misturar religião com política. Um caminho muito perigoso para a América que se orgulha pelo liberalismo e tolerância. O ocidente que se orgulha pela sua cultura e domínio, não pode se deixar levar por estas ações, pois será então igual aos povos que misturam política, religião e alimentam o fundamentalismo, os quais não entendem a liberdade.
Agora temos as velhas questões: Como essa administração vai tratas as questões ambientais, a causa palestina e o terrorismo mundial.
[], Eduardo Stefani – 04/11/2004
