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O Encontro com o Mundo Árabe, 5
A quinta e última noite do curso sobre O Mundo Árabe promovido pelo Instituto da Cultura Árabe em São Paulo teve uma mesa de discussão com a presença dos professores José Arbex Jr. (PUC-SP), Michel Sleiman (USP), José Farhat (USJ-Beirute e ESPM), Murched Taha (UNIFESP) e Geraldo Godoy de Campos (ESPM). O tema foi o papel da mídia na questão do árabe como outro e a representação do outro na cultura árabe.
A discussão foi iniciada por Michel Sleiman com um dado muito interessante. Dom Pedro II foi quem fez a primeira tradução da obra As Mil e uma Noites no final do Século XIX. Foi o ponto de partida do estranhamento do ocidente pelo Mundo Árabe. É digno de nota encontrar manuscritos que revelam que nosso último imperador, além de um intelectual, foi capaz de traduzir essa fantástica obra do árabe para o português.
A conversa foi permeada por citações de Drummond de Andrade, incluindo a forma carinhosa como os libaneses as vezes são chamados de turcos, porém fica uma grande questão. Quando seremos capazes de ver os Árabes sem o estasiamento das cores que criamos em nosso imaginário ? Durante a fala do professor, fiz uma grande reflexão e concordei com ele. Desde criança recebemos uma imagem colorida dos Árabes. Gênios, tapetes voadores e tapetes coloridos. Mulheres e danças sensuais, além do Jafar como inimigo supremo nos joguinhos de computador.
Depois desse prelúdio literário, tivemos a entrada realista do José Arbex Jr. Começou com a sugestão que estamos vivendo talvez o momento mais perigoso da história da humanidade. Uma metade da humanidade submetida à fome e subnutrição, com uma metade que nega a existência da outra. Não se produz alimentos, mas sim mercadorias. Quem não tem dinheiro, não come. Mudar essa lógica, somente com uma mudança completa dos princípios que norteiam a vida e produção das nossas sociedades.
Há de se construir uma nova ordem, senão colocaremos a humanidade em risco. Uma mudança de ordem, modelo econômico, etc. Não podemos viver com uma parcela da população mundial que não é considerada humana. O mais chocante e tentar assimilar o fato que os valores dos povos ocidentais foram obtidos com sangue dos povos originários. Daqueles que não eram humanos. Isso foi feito com os nativos e agora fazemos com os povos desprovidos de inserção no grande jogo do capital internacional.
Um pouco sobre a mídia: A Primeira Guerra do Golfo foi a virada de uma guerra convencional com aquela controlada a partir de uma base de alta tecnologia. O fato é como uma pessoa pode acreditar que em uma guerra de 40 dias de bombardeios em uma capital de 4 milhões de habitantes, não provoca mortes. O mais estarrecedor é que o mundo foi convencido disso e realmente no início da década de 90 era óbvio que não houve mortes.
Agora algumas reflexões para finalizar. Os brasileiros que se cuidem. O petróleo aqui é maior do que imaginávamos. Não somos muçulmanos, mas já começamos a sentir o assanhamento do norte do equador.
As cruzadas traduzem uma situação contemporânea: A Turquia até hoje não faz parte da União Européia. Atrevo-me a dizer que nem mesmo faz parte do imaginário do europeu.
Finalmente: A questão Árabe não é a questão Árabe!!!
[], Eduardo Stefani – 29/11/2011