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O encontro com o Mundo Árabe, 1
Acabei de chegar de um encontro. Em verdade foi o primeiro dia de um curso sobre o Mundo Árabe com duração de somente cinco dias. Trata-se de uma iniciativa do Instituto da Cultura Árabe e no primeiro dia fomos brindados com uma brilhante apresentação do Professor Mohamed Habib da UNICAMP. Além do seu grande amor pelo Brasil, demonstrou intensa lucidez sobre os fatos recentes que vem ocorrendo e desencadeados pela Primavera Árabe.
Conhecer o mundo é um fenômeno perturbador e eu sai do primeiro dia do curso estarrecido pela sequência lógica de dominação do Mundo Árabe exercida pelo ocidente. Neste ponto eu recomendo o livro ou filme Lawrence da Árabia. É um exemplo real do que significa Império Britânico e suas promessas, além da herança deixada para a próxima hegemonia.
O Mundo Árabe que conhecemos foi jorjado ao final da Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito a Inglaterra negociou com dois lados. Inicialmente com os Árabes pedindo apoio e garantindo liberdade àquele povo do então Império Turco-Otomano, e depois com a França, de modo a viabilizar a dominação ao vencerem a guerra. É claro que outros países europeus entraram na partilha, como por exemplo a Itália com a Libia.
Construí esse pano de fundo somente para encadear as minhas ideias, pois ao final o que desejo entender mesmo são os movimentos óbvios de dominação, pois temos condições de colocar em uma folha de papel os fatos que resumem o atual mundo, a começar pela construção e administração do Canal de Suez, além de países sentados sobre infinitas reservas de Petróleo, ou seja, o matéria básica e necessária para a grande revolução ocidental que assistimos nas últimas décadas.
O fato é que não sou Árabe e desejo conhecer o papel do Brasil no meio desse processo. A pergunta que fica em mente é o quanto vale um país ser detentor de infinitos recursos minerais de primeira necessidade em um mundo movido estritamente por essa primeira necessidade. Vivemos em um país que está na ante sala de ser um dos maiores produtores de petróleo no mundo e até o momento não conhecemo nenhum grande produtor de petróleo em que o povo viva em boas condições, com exceção dos Estados Unidos da América. Embora isso não seja amplamente divulgado, nosso irmão do norte está no topo da lista dos maiores produtores, mas por outro lado, consome quase três vezes mais do que produz. Isso significa que a fatia restante tem que ser obtida de outros lugares. Bom, é por aí que começa o jogo internacional que vivemos hoje.
Depois do pano de fundo, a discussão foi o presente. O ditador que caiu no Egito é na verdade o vice do vice de Nasser. O mais interessante é que Mubarak não nomeou um vice, mas caiu diante da insatisfação do povo, mas no final quem tomou o poder foi o exército e os estudantes revolucionários da Praça Tahrir estão neste momento presos. A Líbia por outro lado foi devastada por uma Guerra Civil e levou o povo a se comportar como bárbaros ao capturar seu antigo ditador. Deprecia a identida Árabe e choca o mundo. Enquanto isso o Iémen está em convulsão e não durará muito tempo, mas não se esqueçam da Síria. Essa finalmente certamente terá um destino mais pacífico em virtude dos seus importantes vizinhos.
Penso que eu tenha conseguido fazer uma síntese do que foi o primeiro dia desse empolgante mundo das Relações Internacionais, mas o que mais me chamou atenção foi o intervalo. Muito Kibe e Esfiha e depois pensei, cachorros quentes não cairiam bem naquela ocasião.
[], Eduardo Stefani - 27/10/2011