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Dualidade
Eu amo, mas odeio. Quero ficar, mas com intensa vontade de ir. Crítico, mas não gosto de ouvir críticas. Contemplo o fora quando estou aqui dentro, mas tenho saudade aqui de dentro quando estou fora e assim sobrevivo. Sou seduzido pelo espetáculo do capital, mas quando estou nele, vejo o quanto é insignificante.
Contemplo a civilidade de fora e quando estou fora sou civilizado, mas quando estou dentro, a propensão a selvageria é grande. O exercício é difícil e o senso comum diz que aqui dentro nada disso será possível. A civilidade é coisa para o norte, não o nosso norte, mas aquele acima do Equador. É uma grande missão, mas não desisto.
Todos ficam de queixo caído quando fora todos param para cruzarmos a via, mas aqui dentro, isso é um absurdo completo. Por que tamanha resistência de ser grande ?
Eu não estou criticando. Se tirarmos isso, deixaremos de ser o que somos. E se não formos isso, deixaremos de existir. Fomos criados com a matriz da flexibilidade e negociação. Isso é fundamental para o atual mundo de intolerância no qual vivemos. Por outro lado, somos pacientes e tolerantes, mas não deixamos de ser a ponta de lança da violência urbana.
Isso é tudo! Sou brasileiro e sou do Brasil, como todo amante, com amor e intenso questionamento.
[], Eduardo Stefani - 20/10/2011