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O breve sabor
A vida é um piscar de olhos! Não sabemos de onde viemos e nem para onde iremos. Em cada época e cultura, resume-se de uma forma. Para os Vikings o lugar sagrado para onde caminhavam era o Valhala e o grande orgulho era morrer com uma espada em punho em um campo de batalha. Havia uma grande veneração pelo deus Odin e um temor sobrenatural dos perigos do mar venenoso, mas viviam com seu valores e hoje os estudamos como povos bárbaros.
Os Maias por outro lado, eram muito mais cultos. Veneravam vários deuses relacionados à natureza e ao contrário dos povos bárbaros, acumularam conhecimentos aprofundados sobre arquitetura e matemática, inclusive com o uso de casas decimais e o valor zero.
Vemos então, analisando duas civilizações, a maneira distinta como viviam. Cada uma com seus valores culturais e convicções, acerca da vida e religião.
Nossa missão agora é entender no que resume-se a vida na atualidade e sobre o que iremos deixar escrito para nos estudarem no futuro. O desafio é entender o que estamos fazendo neste globo, correndo a milhares de quilômetros por hora, solto no espaço, em rota de colisão com algo que ainda não conhecemos e com tudo movimentando-se sob nossos pés. Vivemos no meio de uma intensa atividade deste rico planeta que as vezes revolta-se e nos pune como uma mãe, fazendo o chão tremer e colocando-nos no devido lugar. Há o temor de que nossa estada aqui resuma-se somente a mais uma experiência e no final, mais uma civilização perdida nos livros de História. Porém, se tivermos sorte e capacidade, poderemos quebrar um ciclo de idas e vindas, perpetuando uma civilização que encontra-se agora com um alto nível intelectual, embora, ainda tenha muitos problemas morais e espirituais a serem solucionados.
Com um pouco de análise constatamos que somos mais uma das inúmeras civilizações que já andaram por este globo. Há indícios, fortes por sinal, de que já houve algumas com um grau muito avançado de tecnologia, inclusive com o conhecimento de armas nucleares. Para quem tem dúvidas, há um escrito Hindu chamado Mahabharata que descreve detalhadamente ataques nucleares, provando que não estamos sozinhos no que refere-se a armamentos e talvez tenham provocado uma aniquilação, risco que também corremos.
As vezes reflito se tudo o que nos cerca é uma daquelas lembranças turísticas, fechada, cheia de água, com uma área limitada e um mundo controlado. Há também a possibilidade que tudo seja a reprodução exata da alegoria da caverna do nosso ilustre Platão. O perturbador é desconfiar que tudo a nossa volta desde que nascemos, não passa de sombras, ou talvez um espaço limitado dentro de um presente, descansando sobre um armário.
Penso se há alguém nos olhando, como olhamos uma lembrança, ou se há algo além das sombras, de modo que possamos sentir o sabor e cheiro. Mas aí temos o problema dos nossos sentidos, limitados pelo ambiente, talvez seja melhor ficar no mundo das idéias.
A vida cotidiana tira todos os sabores da aventura de estar aqui neste globo. Todos sabemos que chegar aqui é uma grande aventura, possível somente para poucos. Desde o momento da concepção, passamos pelas mais diversas dificuldades e aqui estamos, em carne e osso, carregando em nossos ombros o peso da gravidade. Passamos pelas mais diversas experiências e provações e mesmo totalizando alguns bilhões, somos frágeis como formigas, com o risco de sermos varridos por uma vassoura celestial a qualquer momento.
Outra questão mais transcendental é se tudo será enterrado conosco ou se teremos condições de aproveitar essas experiências em outras oportunidades, ou seja, em outras estadas, não necessariamente neste globo. Algo como um grande diário que será sempre consultado por nós, cada um com sua individualidade.
A diferença entre nós humanos e outros bichos, é essa capacidade de questionar o nosso destino, ainda mais por estarmos vivendo o fato e olhando de dentro. Olhar de fora é muito fácil, mas estar dentro nos dá uma visão contaminada. As estrelas nos olham de uma forma, nós, aqui, nos olhamos de outra. Infelizmente não podemos como conversar com as estrelas, mas mesmo se pudéssemos, conversaríamos com o nosso passado.
Tudo o que vivemos não passa de um breve sabor, muito súbito. Quando começa, já está perto do final. Para nós presos aqui neste globo, tudo custa muito a passar, porém, pensando universalmente, não passa de uma fração de alguma medida de tempo que ainda não conhecemos.
Toda essa apresentação tem o objetivo de invocar a reflexão sobre tudo o que está a nossa volta e fazer disso, o melhor possível. Tentar escapar daquelas preocupações cotidianas que nos aprisionam, tornando a vida uma mera sobrevivência. Vamos confessar : Todos nós temos o pressentimento de que não é só isso. Façamos bom uso do breve sabor.
[], Eduardo Stefani – 24/06/2005