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Com toda pompa e circunstâncias
A diplomacia é uma das poucas áreas de conhecimento recheada de paixões, contradições e mística. Em verdade, defini-la assim é um passo ousado, porque na realidade ela reúne diversas áreas, além de ser complementada pelo toque pessoal do diplomata.
As missões diplomáticas são carregadas de estratégia, defesa de interesses, perda momentânea para ganho futuro, glamour, dissimulação, mentira, blefe e por último, um senso de lealdade com a nação que transcende as aspirações pessoais. Talvez esse último item seja motivo de arrasadores sentimentos de impotência por parte de um diplomata. A carreira da diplomacia é exercida por pessoas brilhantes e de alto potencial intelectual. Como então conviver com a vaidade acadêmica de um intelectual politizado e a missão de cumprir tarefas dadas pelo estado, especialmente quando contrariam as mais íntimas convicções?
A tarefa de representar um país no estrangeiro é nobre. A função e reconhecimento são oficiais e cobertas de elegância, principalmente para o diplomata que tem o privilégio de vivenciar momentos singulares e históricos com a possibilidade de deixar um legado.
Eu devo antes de tudo pedir as mais sinceras desculpas aos diplomatas que estejam lendo este texto, pois embora eu seja um apaixonado pelos assuntos das Relações Internacionais, não tenho o caldo cultural necessário para escrever sobre o assunto, ainda mais fazendo suposições do que seria ou não a atividade de nobre carreira.
Esta paixão levou-me a buscar literatura que pudesse satisfazer a faminta necessidade de entender o mundo, através dos instrumentos usados por todas as nações e deixar aquela visão meramente pessoal do que o mundo deveria ou não ser. Essa visão dura pouco tempo e morre com a ideologia ingênua baseada exclusivamente num mundo melhor, sem pensar na complexa teia de interesses nacionais que nos levam à atual realidade. Somos todos cúmplices de cada ação internacional que levou o mundo ao atual estágio político e econômico.
Ao ler o brilhante texto intitulado “Pompa e Circunstâncias de Gloriosa Carreira” do diplomata brasileiro José Osvaldo de Meira Penna, tive a inspiração de criar este espaço na rede para discutir diplomacia. Devo deixar aqui os meus agradecimentos ao gentil Embaixador Meira Penna pela permissão em usar o título de seu texto.
O texto em questão cita uma obra de Shakespeare que resume a guerra gloriosa como um ato repleto de soberba, pompa e circunstâncias. Em verdade esse é um trecho da obra Othello e cabe perfeitamente na contemporaneidade da diplomacia. Com pompa e circunstâncias a diplomacia é exercida no mundo, deixando para os simples cidadãos a sensação de deslumbre diante das elegantes recepções, viagens e rodadas de negociações.
O outro lado da historia é muito mais cru e determina soberania, sobrevivência, espaço econômico, solução de conflitos e por último, a existência de um país no contexto internacional.
Sejam bem vindos com toda a pompa e circunstância.
[], Eduardo Stefani – 24/10/2007