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Comentários sobre o Declínio do Discurso Humano
Eu escrevi meu último artigo no calor da leitura do texto que citei, no qual faz um resumo dos atos conservadores da candidata a vice-presidente do nosso irmão do norte. Tentei passar a minha percepção, em verdade, algo pessoal sobre o discurso que escutamos no dia a dia, bem como a cultura de um modo geral, pois ambos vêm mostrando uma acentuada queda de qualidade.
Após alguns dias, penso que fui um pouco pessimista. Dá a impressão que está tudo ruim. Não quis dizer que o mundo está tomando um caminho tortuoso, mas sim o discurso ocidental, basicamente ao que eu tenho acesso.
Meu grande questionamento é como num momento tão avançado da tecnologia e do conhecimento geral, podemos ser comprados por discursos baratos. As mentes parecem despreparadas para o correto discernimento. Não aqueles que revelam alinhamentos políticos ou ideológicos, mas sobre questões básicas que deveriam ter sido superadas há séculos, como é o caso da tentativa de levar o criacionismo a cabo, como é a intenção de algumas figuras no poder, inclusive no Brasil.
Além dessas percepções, desejo fazer mais alguns comentários:
Eu disse que as grandes guerras mundiais colaboraram para empobrecer o discurso mundial. Embora guerras tenham ocorrido durante toda a história da humanidade, experimentamos um bom período de paz e construção da civilização contemporânea durante séculos. As grandes guerras mundiais, numa certa medida, brutalizaram os homens. Os que não foram à guerra, assistiram o colapso e destruição daquilo que viram desde a infância. Os que foram à guerra e voltaram vivos, ficaram brutalizados, em virtude daquilo que viram. Tivemos a partir desse momento, o desencadeamento de muita violência durante todo o século XX e o reaparecimento de práticas até então consideradas selvagens para um homem civilizado. Não vamos esquecer que depois de 2001, a prática de tortura foi assustadoramente relativizada.
É uma percepção que tenho, especialmente como conclusão do que venho lendo ultimamente. Pode ser que eu esteja sendo parcial, ou mesmo equivocado, mas não podemos negar que vimos durante o século 20 a perda de costumes civilizados adquiridos durante os séculos anteriores.
Por outro lado, o meu artigo parece ser nostálgico. Eu nem poderia ser nostálgico, porque passei a existir neste globo somente a partir do final da romântica década de 70. É uma tendência sempre dizermos que o passado é melhor e que estamos vivendo na decadência. Isso é verdade, porque se pegarmos artigos de jornais do século 18 ou 19, leremos também a sensação de que a sociedade está decadente, portanto eu espero não ter passado a mensagem nostálgica. Em resumo, a decadência anda de mãos dadas com o desenvolvimento e o desafio é encontrar a medida certa.
Citei um filme chamado "O Declínio do Império Americano". Quem não assistiu, deve assistir, pela sensibilidade e profundidade em mostrar o que está ocorrendo conosco. O declínio é oriundo da individualidade, baixo índice de natalidade e muitos fatos evidenciados no filme. Confesso que não lembro de tudo e merece que eu o aprecie mais uma vez. É curioso, porque são oito professores universitários, sendo quatro homens e quatro mulheres. Num jantar, regado a vinho, a pauta é sexualidade, futilidades e depois Marx. Na verdade é uma mistura muito bem vinda, mas que nos dá uma noção do que pode resultar o efeito multiplicador de uma sociedade cuidando da individualidade e esquecendo da sociedade. Ao menos no meu entendimento, o declínio está escondido exatamente ai, numa sociedade individualista. Esse parágrafo merece talvez mais alguns artigos para sintetizarmos as mensagens e tentar entender o empobrecimento do nosso discurso.
Vale também a dica do filme "As Invasões Bárbaras"!
Espero ter esclarecido alguns pontos que entendi como contraditórios. Isso pode render uma boa noite de discussões calorosas.
[], Eduardo Stefani - 30/10/2008