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O Declínio do Discurso Humano
A partir da indicação de um amigo sul-africano, apreciei um artigo intitulado “Sarah Palin'v War on Science” e me inspirou a escrever este texto. Em verdade foi o que faltava para eu sintetizar algumas observações que vinha fazendo ultimamente. O artigo descreve o nível de conservadorismo que a dama republicana exala em seus discursos e não tive como deixar de observar:
É impressionante como temos em nossa contemporaneidade uma incrível pobreza de discurso e retrocesso em alguns conceitos cruciais, especialmente para a civilização ocidental, tão culta e dona da razão moderna. Devemos sentir pelos brilhantes cientistas do início do século XX, nos quais presenciaram um incrível avanço de científico e civilizatório. O otimismo era tanto na virada do século que pensava-se não ter mais o que inventar.
Talvez o início da pobreza no discurso tenha começado com as grandes guerras. Elas de certo modo colaboraram para destruirmos o senso de civilização culta construído durante anos. Talvez tenha destruído a dignidade e fé nos conceitos nobres e sofisticados. A humanidade, depois de tanto atraso medieval, tinha atingido um certo conceito de paz e intelectualidade, porém em pouco tempo vimos tudo desconstruído com duas guerras arrasadoras que acabaram com quaisquer tentativas de modos civilizatórios, especialmente na última, uma guerra pessoal, do cidadão e não somente dos homens de uniforme.
Em fins e início de século, vimos a ciência avançar. A teoria da evolução das espécies, descobertas cientificas, a noção do universo além do nosso pequeno globo, antropologia, sociologia e a revolução da física. A constatação que vivemos num planeta resultado de milhões de anos de consecutivos processos de evolução.
Do processo cíclico de destruição e criação. Do aparecimento e sumiço de espécies e áreas inteiras. A realidade a nossa volta. A difícil fuga do que é o mundo, feito de terra e pedra, por mais que acreditemos existir outras dimensões entre a nossa simples vida cotidiana.
O processo eleitoral do norte vem sendo marcado por discussões sobre conceitos religiosos básicos, trazidos normalmente por conservadores ou quase fundamentalistas. Assuntos que deveriam ter sido superados, especialmente naquela parte do globo que tanto colaborou para o avanço da civilização ocidental no século XX.
Não devemos nos limitar somente a assuntos religiosos. Na pauta sempre temos o terrorismo como arma psicológica para amedrontar os comuns. Agora a crise financeira. Algo também que parecia superado com um mercado internacional moderno. Parece que estamos regredindo e não será surpresa discutir os perigos de navegar pelos mares.
Nosso nível está muito baixo. O discurso está pobre e fútil. Isso me faz lembrar um clássico filme chamado “O Declínio do Império Americano”. O senso civilizatório parecia definhar quando passamos a nos apegar a conceitos fúteis, cretinos, pobres ou qualquer adjetivo que queiramos dar. Quando as preocupações baratas passam a ser mais importantes.
Será o começo do fim ? Estamos tão perdidos diante da nossa evolução que voltaremos a nos apegar a valores antigos ? Como num tempo tão moderno as mentes são compradas por fundamentalistas com discursos pegajosos ?
[], Eduardo Stefani - 28/10/2008
Link do artigo citado: http://www.slate.com/id/2203120